
Os investimentos em infraestrutura estão avançando, mas ainda estão longe de alcançar os níveis necessários para suprir e ir além de todas as necessidades de que o Brasil ainda padece. Isto, somado à inseguranças contratuais e institucionais, acaba dificultando não só os negócios das empresas que se dispõem a entrar no setor, como o desenvolvimento do país como um todo. Foram esses os temas debatidos por executivos de grandes concessionárias e empresas de infraestrutura durante o VEJA Fórum Infraestrutura, realizado nesta sexta-feira, 27, em São Paulo.
“Sem um planejamento integrado entre os agentes para a logística do país, nós não vamos sair do lugar”, disse André Hachem, diretor financeiro da Hidrovias do Brasil, concessionária de transporte hidroviário do Grupo Ultra. Ele menciona não só os baixos investimentos do país em exploração e expansão das hidrovias, o modal de transporte mais barato e menos poluente de todos, mas, também, a falta de investimentos em outras estruturas, como rodovias e o acesso aos portos. Esses gargalos, pontuam, acabam dificultando as integrações que já existem entre os modais. “O Ultra colocou 1,2 bilhão de reais na empresa para ampliarmos nossos investimentos, nossa frota e nossa presença dos portos”, disse, “mas precisamos que outros investimentos também sejam feitos”.
André de Angelo, presidente para o Brasil da espanhola Acciona, cita o exemplo da insuficiência da malha de transporte urbano, como os trilhos, no Brasil. “Cerca de 85% dos brasileiros vivem nas cidades, a demanda é tremenda e o cálculo do setor é de que precisaríamos investir 47 bilhões de reais para sanar oa gaps que temos hoje”, disse Angelo. “Mas, no ano passado, o país investiu 6 bilhões de reais em mobilidade urbana.”
A companhia é a concessionária responsável pelas obras e a operação da Linha Laranja do metrô de São Paulo, que, de acordo com Angelo, deve ter as primeiras estações inauguradas ainda neste ano e, a partir do próximo, estar pronta para entrar inteira em operação.
Samanta Souza, diretora de relações institucionais da Sabesp, a antiga estatal de saneamento de São Paulo, destacou os avanços feitos na modelagem do contrato que levou à privatização da companhia, há 2 anos, e que foram não só o que permitiu o sucesso de sua enorme oferta de ações, mas, também, o que dá segurança para que a sua expansão de investimentos seja viável e não pressione nem as tarifas, nem a sustentabilidade da companhia.
“O setor de saneamento depende de uma alavancagem muito alta e o Brasil precisa ainda de muito recurso para universalizar a rede”, disse ela. “Ter uma regulação fortalecida e uma base de política pública sólida é essencial para que a gente evolua nesse sentido. “De acordo com Souza, que trabalha na Sabesp há quase 30 anos, os investimentos da companhia saltaram da faixa dos 5 bilhões de reais ao ano, antes da privatização, para 15 bilhões de reais no ano passado. “Isso representa em torno de 550 reais por habitante ao ano, bem mais do que os 120 reais que tínhamos antes.”