
O governo federal anunciou nesta quinta-feira, 26, uma parceria para viabilizar a produção no Brasil do pembrolizumabe, medicamento indicado para o tratamento de quase 40 tipos de câncer e já aprovado no país.
O acordo envolve o Ministério da Saúde, o Instituto Butantan e a farmacêutica MSD, responsável pelo desenvolvimento do fármaco, comercializado como Keytruda. A parceria prevê a transferência de tecnologia para a produção nacional ao longo de até dez anos.
Atualmente, o medicamento é utilizado principalmente na rede privada. No Sistema Único de Saúde (SUS), o uso está disponível para melanoma, enquanto a incorporação para outros tipos de câncer segue em avaliação. O custo elevado é um dos fatores considerados nesse processo — na rede privada, cada frasco pode custar cerca de R$ 27 mil.
Nesse contexto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deve realizar uma nova reunião para avaliar a ampliação do uso do pembrolizumabe no SUS. A expectativa é que o medicamento seja analisado para inclusão em outras indicações, como câncer de esôfago, colo do útero, pulmão e mama triplo negativo. A votação está prevista para os dias 8 e 9 de abril.
Segundo o governo, a produção no país pode contribuir para reduzir custos e ampliar a oferta no sistema público.
Como o medicamento atua
Um dos diferenciais do medicamento é que em vez de atacar diretamente o tumor, como acontece com a quimioterapia, ele ajuda o próprio sistema imunológico a combater o câncer.
De forma resumida, nosso corpo já tem células de defesa preparadas para identificar e destruir células anormais, incluindo as cancerígenas. Mas alguns tumores conseguem “driblar” esse sistema. Eles ativam uma espécie de freio nas células de defesa, fazendo com que elas não reconheçam o câncer como uma ameaça.
O pembrolizumabe age justamente nesse ponto. Ele bloqueia esse “freio” e permite que as células de defesa voltem a enxergar o tumor. Com isso, o sistema imunológico pode retomar sua função e atacar as células cancerígenas.
Essa estratégia faz parte de um grupo de tratamentos chamado imunoterapia e tem mudado o tratamento de vários tipos de câncer nos últimos anos. Em alguns casos, a resposta pode ser mais duradoura do que com terapias tradicionais.