
Diante da disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, a Argentina decidiu flexibilizar a composição da gasolina e autorizou a mistura voluntária de até 15% de etanol no combustível. A medida, anunciada pela área energética do governo de Javier Milei, busca conter o repasse da alta ao consumidor em um momento de forte pressão inflacionária.
A decisão ocorre após um aumento superior a 18% nos preços da gasolina apenas em março, segundo estimativas de analistas, em um contexto de tensão global provocado pelo conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. No acumulado de 12 meses, os combustíveis já registram alta acima de 60% no país.
A nova regra amplia o limite técnico de oxigenação permitido na gasolina, dando às refinarias maior margem para substituir parte do derivado fóssil por biocombustível. Na prática, isso reduz a dependência do petróleo importado e pode aliviar custos, ainda que parcialmente.
O governo afirma que a mudança não altera o regime obrigatório já existente nem impõe metas adicionais às empresas. Trata-se de uma autorização opcional, desenhada para oferecer flexibilidade operacional ao setor em um cenário de volatilidade internacional.
A estratégia segue uma tendência observada em outros países produtores de biocombustíveis, como o Brasil, onde a mistura de etanol na gasolina é historicamente mais elevada e funciona como instrumento de amortecimento de choques externos. Especialistas apontam que, embora a Argentina tenha menor escala na produção de etanol, o ajuste pode gerar algum efeito de curto prazo sobre os preços.
O impacto, no entanto, tende a ser limitado. Isso porque o principal vetor da alta continua sendo o petróleo no mercado global, cuja cotação disparou após a intensificação das tensões no Oriente Médio e o risco de interrupções no fornecimento.
A decisão também se insere em um contexto doméstico delicado. O governo Milei enfrenta inflação elevada, queda do poder de compra e uma agenda de reformas econômicas que inclui cortes de subsídios e liberalização de preços — medidas que, na prática, ampliam a sensibilidade dos combustíveis às variações internacionais.