Um monitoramento do ambiente digital brasileiro feito pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa, mostra que a guerra no Irã, que completa um mês neste sábado, 28, virou outro ponto de disputa entre a direita e a esquerda: cada campo ideológico tenta emplacar suas próprias visões de quais são as causas e os efeitos do conflito no Oriente Médio.

Os pesquisadores apontam que a dificuldade em encontrar dados confiáveis sobre a guerra, como número de feridos, por exemplo, cria um terreno fértil para especulação e uso de imagens fabricadas por inteligência artificial. “Conflitos internacionais como esse rapidamente se transformam em guerras de informação”, disse Beatriz Farrugia, analista do Observatório Lupa. “Mesmo ocorrendo em outro continente, a guerra passa a ser interpretada a partir das divisões políticas brasileiras, o que favorece a nacionalização do conflito e a circulação de versões divergentes sobre os acontecimentos.”

O campo da direita majoritariamente apoiou as ações lideradas pelos Estados Unidos, que seriam justificadas pela violência do regime iraniano. Algumas publicações tentam vincular o governo do presidente Lula (PT) a grupos terroristas com imagens fora de contexto: uma delas mostra o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) perto de um dos líderes do Hamas. A imagem foi tirada em julho de 2024, quando ele representou o governo brasileiro na cerimônia de posse do presidente iraniano. Não houve qualquer registro de interação entre Alckmin e Ismail Haniyeh, que morreu poucas horas após o evento.

Já a esquerda associa a guerra aos interesses políticos do premiê israelense Benjamin Netanyahu e do presidente norte-americano Donald Trump, que estaria tentando mascarar seu envolvimento com o caso Epstein. Outra estratégia é o uso de imagens e vídeos fortes para criticar a ofensiva.

Análise do Observatório Lupa mostra como cada polo ideológico usa o conflito do Irã para difundir suas próprias crenças
Análise do Observatório Lupa mostra como cada polo ideológico usa o conflito do Irã para difundir suas próprias crenças (Observatório Lupa/Divulgação)

O levantamento analisou publicações em 12 redes sociais, como X, Youtube, BlueSky, Threads e Instagram, além de sites e blogs, usando a ferramenta Meltwater.



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