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O Supremo Tribunal Federal resolveu tentar limitar os penduricalhos salariais que inflam a remuneração da elite do funcionalismo público. Estabeleceu que, a partir de maio, a soma dessas verbas extras não pode mais ultrapassar 35% da remuneração bruta de um juiz do STF (R$ 46.366,19 desde fevereiro) —valor que é referência constitucional como teto salarial no serviço público.

O tribunal tenta conter a ampliação dos privilégios autoconcedidos pelos que ocupam cargos-chave no topo da pirâmide do funcionalismo, enquanto aguarda a aprovação de legislação específica no Congresso. Até agora, porém, o tema não apareceu na lista de prioridades legislativas, embora custe mais de R$ 20 bilhões aos cofres públicos por ano.

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Metade desse gasto extra, que o STF julgou inconstitucional, tem origem nas folhas de pagamento dos Tribunais de Justiça. No ano passado, por exemplo, quase todos (98%) juízes estaduais receberam remuneração acima do limite previsto na Constituição.

Um em cada quatro juízes estaduais embolsou mais de R$ 1 milhão além do teto salarial, demonstra estudo divulgado nesta semana pela Transparência Brasil e República.org., com base na análise de 17,6 mil contracheques emitidos nos 27 tribunais de justiça. Os dados sobre remuneração dos juízes são rotineiramente coletados pelo Conselho Nacional de Justiça.

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Há mais transparência sobre pagamentos nos tribunais do que em outros organismos estatais. A opacidade sobre remunerações prevalece nas procuradorias, por exemplo. Em ao menos um caso, a exposição da rotina de pagamentos de legalidade duvidosa redundou em ações judiciais contra jornalistas.

Aconteceu em Vitória, em 2015, quando o então procurador estadual de justiça, Eder Pontes da Silva, processou os jornalistas Rogério Medeiros, Manaíra Medeiros e Nerter Samora, do portal Século Diário. Alegou ofensa por uso da palavra “penduricalhos”  — segundo ele, expressão “extremamente pejorativa”.

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No ano passado, mais da metade (56%) dos juízes recebeu acima de R$ 500 mil além do limite constitucional.

Parcela expressiva (32%) ganhou entre R$ 100 mil e R$ 499 mil acima do teto do funcionalismo.

Em todo o país, somente 255 juízes (menos de 1,7% do total) foram remunerados na forma da lei.

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O recorde nacional em pagamentos a um juiz foi registrado no Piauí: uma juíza recebeu R$ 2,8 milhões do tribunal estadual, além do que permite a Constituição.

Piauí e São Paulo pagaram os maiores salários totais (média, antes dos descontos) durante o ano passado —R$ 140,8 mil e R$ 140,1 mil ao mês, respectivamente. Oito em cada dez juízes paulistas receberam mais de R$ 1 milhão em extras salariais.



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