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A mais recente pesquisa da AtlasIntel acendeu um sinal de alerta na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva ao revelar um dado expressivo: 72% dos jovens entre 16 e 24 anos desaprovam o presidente. O levantamento, realizado com 5.000 eleitores entre os dias 18 e 23 de março, mostra ainda que a maior aprovação do governo se concentra em faixas etárias mais altas, especialmente entre 45 e 59 anos. O contraste evidencia uma transformação relevante no comportamento eleitoral — e um desafio estratégico para o Palácio do Planalto (este texto é um resumo do vídeo acima).
No programa Ponto de Vista, a apresentadora Marcela Rahal destacou o impacto político do número e questionou os caminhos possíveis para reverter o quadro. A avaliação predominante é de que o distanciamento entre Lula e o eleitor jovem não é episódico, mas parte de uma mudança mais ampla no ambiente político e das comunicações.
O que explica a rejeição entre os jovens?
Para o colunista Mauro Paulino, o dado representa uma inflexão histórica. “Mudou o perfil do eleitorado de Lula ao longo dos anos”, afirmou. Segundo ele, nas primeiras eleições do petista — especialmente em 2002 —, os jovens eram um dos pilares centrais de sua base de apoio, com níveis de simpatia até superiores aos de outros segmentos.
Essa relação, no entanto, foi se invertendo ao longo do tempo. “Essa virada junto a esse segmento é uma demonstração de que o discurso da direita atingiu os jovens de uma forma muito convincente”, disse Paulino. Para o analista, a comunicação digital e a presença mais eficaz da direita nas redes sociais ajudam a explicar essa mudança de comportamento.
Qual o papel das redes sociais nessa virada?
O impacto das redes sociais é central nesse diagnóstico. Paulino destaca que os jovens não apenas consomem mais conteúdo político nesses ambientes, como também atuam como multiplicadores de opinião. “Eles têm um poder de propagação das suas intenções de voto entre seus pares e suas preferências políticas”, afirmou.
Esse efeito em cadeia amplia o peso eleitoral desse grupo para além de sua participação direta nas urnas. A perda de influência entre os jovens, portanto, não afeta apenas um segmento específico, mas pode reverberar em outras faixas do eleitorado por meio da dinâmica digital.
Os números são definitivos ou há distorções metodológicas?
Embora o índice de 72% chame atenção, Paulino pondera que parte desse resultado pode estar relacionada ao método de coleta da pesquisa, feita pela internet. “Como a pesquisa é feita pela internet, há mais jovens usando a internet do que mais velhos”, explicou, o que pode gerar algum nível de distorção.
Ainda assim, ele ressalta que a tendência não é isolada. “É uma tendência confirmada por todos os outros institutos”, disse, citando levantamentos como Datafolha e Quaest. Ou seja, mesmo com eventuais diferenças de magnitude, o movimento de afastamento dos jovens em relação ao governo é consistente.
Como a campanha de Lula pretende reagir?
Diante desse cenário, a avaliação é de que o governo precisará recalibrar sua estratégia de comunicação. “Essa é uma mudança importante e tem que ser atacada e combatida”, afirmou Paulino. O desafio passa por reconectar o discurso do governo com as demandas e linguagem desse público, especialmente no ambiente digital.
A tarefa, no entanto, não é trivial. Ao contrário de ciclos anteriores, em que Lula partia com forte apoio entre jovens, o presidente agora precisa recuperar terreno em um segmento onde a oposição parece ter avançado com mais eficácia.
No tabuleiro eleitoral de 2026, esse movimento pode ser decisivo. Afinal, como mostra a própria dinâmica das redes, conquistar — ou perder — os jovens pode significar muito mais do que um simples recorte demográfico.
VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.