
Uma votação convocada de última hora nesta quinta-feira, 26, consagrou o deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo, como novo presidente da Assembleia Legislativa do Rio. A oposição boicotou a sessão e anunciou que vai entrar com uma ação judicial para questionar a eleição.
A presidência da Alerj ficou vaga porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou, na terça, o deputado Rodrigo Bacellar (União). Ele era o presidente da Casa Legislativa, embora estivesse afastado do cargo por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a cassação, o cargo ficou formalmente aberto, exigindo novas eleições, como prevê o regimento interno.
A eleição foi convocada com uma antecedência de apenas três horas e pegou a oposição de surpresa. O deputado Guilherme Delaroli (PL), que ocupa interinamente a presidência, desmarcou a sessão do colégio de líderes em que o assunto seria debatido e pautou a votação. Apenas deputados aliados, que antes compunham a base do governo Cláudio Castro, participaram.
Ruas assumiu a mesa sob gritos de “golpistas” dos deputados da oposição, que se recusaram a participar da votação. Ele recebeu 45 votos e discursou brevemente no plenário após o resultado, dizendo que “o estado do Rio de Janeiro passa por momento de excepcionalidade jamais visto antes”. “Independente de ideologia partidária e posicionamento político, todos os parlamentares terão diálogo aberto, mas sempre respeitando o parlamento e a maioria, sabendo que o plenário é soberano”, afirmou.
Ruas ainda disse que vai garantir o funcionamento de “serviços públicos”. A fala foi entendida como sinalização sobre assumir o governo do estado no lugar do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, o que o leva a liderar o processo de eleição indireta a governador. Pelos planos do PL, ele disputará o mandato-tampão, embora as regras sobre a eleição indireta ainda estejam em votação no Supremo Tribunal Federal (STF).
Dos 70 deputados da Alerj, 25 não compareceram à sessão. Ao menos 23 acompanharam do lado de fora do plenário a votação.