Um novo e robusto estudo assinado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, revela que aumentar a frequência de ejaculação traz benefícios para a qualidade dos espermatozoides e a fertilidade masculina. Nesse sentido, tanto a masturbação como as relações sexuais entre o casal poderiam otimizar o perfil dos gametas masculinos e suas chances de fecundar um óvulo.

O trabalho avaliou dados de 115 pesquisas já publicadas que analisaram amostras de sêmen de quase 55 000 homens. A principal descoberta dos autores foi que, quando eles deixavam de ejacular por um tempo, a saúde dos espermatozoides caía expressivamente. Tanto a vitalidade quanto a capacidade de locomoção das células eram afetadas.

Em outras palavras, o estoque de espermatozoides no corpo masculino perde a qualidade e a habilidade de fecundar o óvulo e gerar uma prole.

Os cientistas britânicos identificaram duas causas para o fenômeno. A primeira é o estresse oxidativo. “É uma forma de ferrugem biológica que pode danificar os espermatozoides fisicamente”, explicaram os autores. A segunda é a diminuição de energia quando as células ficam armazenadas tempo demais.

Os achados têm implicações tanto para casais que buscam ter filhos como para recomendações dadas aos tentantes que passam por tratamentos como a fertilização in vitro (FIV). Hoje, entidades orientam os homens a ejacular entre dois e sete dias antes de uma coleta de sêmen. O trabalho inglês indica que períodos mais curtos já podem ter consequências sobre os gametas.

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A constatação está em linha com o que já vinha sendo observado entre primatas que, a exemplo dos humanos, também se masturbam. Os especialistas levantam a hipótese de que a masturbação teria um benefício biológico e adaptativo para nossa espécie: ela elimina espermatozoides danificados ou menos habilidosos armazenados no corpo.

Seleção natural

O time de Oxford foi além. A fim de investigar se a piora dos espermatozoides durante o armazenamento seria um padrão biológico mais amplo, eles se debruçaram sobre dados de dezenas de pesquisas com 30 espécies animais diferentes – a lista envolve outros mamíferos, aves, répteis e até abelhas.

Concluíram que o fenômeno que ocorre entre humanos se repete entre outros animais. Células germinativas acumuladas por períodos maiores de tempo são menos aptas a produzir uma prole.

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Os cientistas também identificaram que o espermatozoide parece se deteriorar a uma taxa mais rápida dentro do organismo masculino em comparação ao momento que já foi ejaculado e está no corpo da fêmea. A hipótese é que as fêmeas sintetizam substâncias que podem nutrir e resguardar o esperma.

As descobertas da equipe britânica não só trazem novas informações sobre o benefício da masturbação para a qualidade dos espermatozoides como também podem ajudar a mudar recomendações para homens e casais que queiram engravidar.



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