Objetos ligados ao movimento supremacista Ku Klux Klan (KKK) foram encontrados na sede do Departamento de Segurança Pública de Mississippi, nos Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta quarta-feira, 25, pelo jornal local Mississippi Today. Funcionários limpavam um armário antes da mudança da instituição para outro endereço quando acharam o material.

Entre os itens de mais destaque, estava um manual dos Cavaleiros Brancos, o braço mais violento do grupo supremacista branco, responsável por pelo menos 10 assassinatos na década de 1960. Outros manuscritos, que continham atas de reuniões, anotações financeiras e listas de integrantes que pagaram, ou não, a mensalidade que garantia a membresia também foram localizados.

O material, que revelou um passado sombrio em que os Cavaleiros Brancos contavam com quase 100 mil membros, foi entregue ao Departamento de Arquivos e História de Mississippi. “Ao preservar esses artefatos e esclarecer a existência dessas organizações, ajudamos a garantir que as gerações futuras nunca sejam desviadas por esse ódio”, disse o comissário de Segurança Pública do estado, Sean Tindell, em comunicado.

O diretor do Departamento de Arquivos, Barry White, afirmou ao Mississippi Today que “os registros darão aos pesquisadores um acesso mais amplo à documentação, aprofundando a compreensão acerca das atividades da Ku Klux Klan no Mississippi durante a década de 1960”. Ele agradeceu Tindell por reconhecer a importância dos itens para a história do país e reforçou que o processamento do material pode levar meses. 

Durante os trâmites da transferência do Departamento de Segurança Pública, também foram encontrados documentos da Patrulha Rodoviária do estado, etiquetados com os títulos “Agitadores Comunistas” e “Viajantes da Liberdade”. O acervo continha fotos e relatórios de viagem de ativistas de direitos civis que usavam ônibus interestaduais para se deslocar até o sul e desafiar as leis de segregação racial da época.

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O que é a KKK?

A primeira versão do movimento surgiu no sul dos Estados Unidos no final dos anos 1860 e tentou derrubar governos estaduais republicanos no sul dos Estados Unidos, durante a Era da Reconstrução, recorrendo ao uso da violência contra líderes afro-americanos. Na época, seus membros faziam os próprios trajes, muitas vezes coloridos: roupões, máscaras e chapéus em formato de cone, projetados para serem aterrorizantes e para esconder suas identidades.

Após repressão federal, o grupo minguou nos anos 1870, apenas para ressurgir novamente no início do século XX, com foco nas áreas urbanas do Centro-Oeste e Oeste do país. Os supremacistas se opunham aos católicos e judeus, especialmente aos imigrantes mais recentes. Foi então que adotou-se um traje branco padrão, além de terem surgido rituais de queima de cruzes e desfiles em massa.

A terceira e atual manifestação da KKK surgiu depois de 1950, sob a forma de grupos pequenos, locais e desconexos. Eles se concentraram na oposição ao movimento dos direitos civis dos anos 60, muitas vezes usando violência e assassinatos para reprimir ativistas. Atualmente, é classificado como um grupo de ódio pela Liga Antidifamação. Segundo estimativas de 2012, há entre 5 mil e 8 mil membros, que costumam fazer referências ao sangue “anglo-saxão” dos Estados Unidos, o que remete ao nativismo do século XIX, que alimenta as crenças na supremacia e nacionalismo brancos.



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