
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem avaliado um proeminente nome para um futuro governo no Irã: o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, de 64 anos, informou o site americano POLITICO na segunda-feira 23. A movimentação é curiosa, já que Bagher Ghalibaf é um crítico voraz dos EUA, por trás de ameaças, promessas de retaliações e deboches sobre Trump. Apesar da postura, ele é visto parte da Casa Branca como um interlocutor confiável, uma figura capaz de negociar uma saída pela diplomacia, disseram dois funcionários.
As fontes, no entanto, afirmaram que o governo americano ainda não está preparado para apostar todas as cartas no ex-prefeito de Teerã e tem examinado outras alternativas. Mesmo com a reticência, ele é considerado ” uma opção muito promissora” e “um dos principais candidatos”, segundo uma das autoridades. A ideia seria tornar o Irã numa Venezuela 2.0: após a captura do ditador Nicolás Maduro em janeiro, Delcy Rodríguez assumiu o poder da nação caribenha e, pressionada por Trump, fechou um acordo para entregar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA.
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O petróleo, assim como no caso de Caracas, é uma peça-chave para o Irã, terceiro maior produtor do mundo. Na mira, está a Ilha de Kharg, responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano e abastecida por oleodutos provenientes de campos marítimos nos seus arredores. Há, ainda, a questão do Estreito de Ormuz, rota vital por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos pelo planeta. Algumas figuras do governo Trump, contudo, duvidam que Bagher Ghalibaf seja tão maleável quanto Rodríguez — uma visão compartilhada por analistas.
“Ghalibaf é um típico político do sistema: ambicioso e pragmático, mas fundamentalmente comprometido com a preservação da ordem islâmica no Irã”, afirmou Ali Vaez, analista sênior do Irã no International Crisis Group, ao POLITICO. “Isso o torna um candidato improvável para oferecer a Washington quaisquer concessões significativas. E mesmo que ele estivesse inclinado a testar os limites, o establishment militar iraniano e a elite de segurança em geral quase certamente o conteriam. Após as ações dos EUA e de Israel, o clima em Teerã não é de flexibilidade, mas de profunda desconfiança; o sistema como um todo vê poucos motivos para acreditar que Trump ou Israel honrariam os termos de qualquer possível acordo.”