O presidente da Câmara, Hugo Motta, pode ignorar a bancada feminina e escalar uma parlamentar conservadora para a relatoria da proposta que institui o Dia Nacional do Nascituro.

O texto teve o requerimento de urgência aprovado na semana passada, em um movimento que desagradou as deputadas do campo progressista, que não estavam presentes no plenário, porque estavam mobilizadas na Comissão em Defesa do Direito da Mulher para apoiar a deputada Erika Hilton, que tem sofrido com ataques transfóbicos desde que assumiu o comando do colegiado.

Só essa votação do requerimento para acelerar a tramitação, feita de forma pouco transparente, já desagradou o grupo.

Contrárias ao projeto, essas parlamentares se reuniram com a deputada Jack Rocha, coordenadora da bancada feminina, e pediram que ela recomendasse a Motta a manutenção de Sâmia Bomfim à frente da relatoria da matéria. A psolista é contra a proposição.

A proposta, porém, é defendida pela oposição e seu avanço seria considerado um gesto do paraibano ao PL, que via com desconfiança os recentes acenos do chefe do Legislativo ao Palácio do Planalto.

Por isso, há a preocupação, entre deputadas progressistas, de que Motta não acate ao pedido da bancada feminina e escale uma parlamentar da direita para a missão.



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