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A Polícia Antiterrorismo de Londres prendeu três homens sob suspeita de espionagem para a China na quarta-feira, 4, entre eles o marido da parlamentar Joani Reid, do Partido Trabalhista. As prisões ocorreram no âmbito de uma ampla investigação sobre crimes de segurança nacional relacionados ao regime chinês, e vêm à tona em um momento no qual o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, é acusado de ser muito brando com Pequim.
David Taylor, de 39 anos, é um executivo de alto escalão na Asia House, um think tank que atua em diálogos Ásia-Europa. Ele é conhecido por seus laços estreitos com o Partido Trabalhista em Gales, onde atuou como assessor especial do secretário Peter Hain. Tanto Taylor quanto os outros dois suspeitos — dois homens de 43 e 68 anos, ambos identificados como ex-conselheiros trabalhistas — foram libertados sob fiança nesta quinta-feira, 5.
Em comunicado divulgado após a prisão do marido, a deputada Reid disse nunca ter visto “nada que me fizesse suspeitar que meu marido tenha quebrado alguma lei”. A parlamentar destacou que não faz parte das atividades comerciais de Taylor, nunca tratou sobre qualquer assunto relacionado à China e que espera ter sua privacidade e a de seus filhos respeitadas.
“Até onde sei, nunca conheci enquanto deputada nenhuma empresa chinesa, diplomatas chineses ou funcionários do governo, nem levantei qualquer preocupação com ministros ou qualquer outra pessoa em nome de, mesmo coincidentemente, interesses chineses”, disse ela.
As autoridades forneceram poucas informações sobre o inquérito mais amplo que levou à detenção dos suspeitos, embora o jornal britânico The Guardian tenha informado que os serviços de segurança do Reino Unido têm intensificado a vigilância sobre possíveis interferências estrangeiras no país. O caso aumenta a tensão diplomática entre Londres e Pequim, uma vez que não é a primeira prisão envolvendo acusações de espionagem chinesa.
Dois homens, identificados posteriormente como Christopher Cash e Christopher Barry, foram detidos e acusados de fornecer informações de Estado a um membro do Partido Comunista Chinês em 2024. No período em que os crimes foram cometidos, Cash era um pesquisador especializado na China a serviço da deputada conservadora Alicia Kearns, enquanto Barry era um acadêmico.
Embora tenham sido acusados sob a Lei de Segredos Oficiais, nenhum dos dois chegou a ser julgado, uma vez que as acusações foram retiradas pelo Ministério Público da Inglaterra e do País de Gales semanas antes do julgamento. O episódio aumentou a pressão sobre o premiê Starmer, com opositores acusando Downing Street de não fornecer à promotoria as provas necessárias para obter uma condenação.
O governo afirmou não ter tido nenhum papel na retirada das acusações e se disse frustrado com o fracasso do julgamento. Starmer, por sua vez, tentou mudar o foco para o governo conservador anterior, afirmando que a gestão conservadora de Rishi Sunak não designou a China como “ameaça à segurança nacional” — algo rejeitado pela atual líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch.