
Ler Resumo
Novas explosões abalaram Teerã nesta quinta-feira, 5, enquanto o Irã anunciou que atacou grupos curdos no Iraque, aliados dos Estados Unidos, provocando temores de uma ampliação da guerra no Oriente Médio e de um impacto ainda maior na economia mundial.
As forças iranianas anunciaram o lançamento de mísseis contra os quartéis-generais das forças curdas na região autônoma do Curdistão iraquiano, que abriga tropas americanas.
“Atacamos com três mísseis os quartéis-generais dos grupos curdos contrários à revolução no Curdistão iraquiano”, afirma um comunicado militar divulgado pela agência de notícias estatal IRNA.
Os bombardeios, que segundo um porta-voz provocaram a morte de um integrante de um grupo curdo iraniano no exílio, foram precedidos por advertências das autoridades iranianas.
“Os grupos separatistas não devem imaginar que soprou um novo vento e tentar agir”, advertiu Ali Larijani, o poderoso chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
A Casa Branca desmentiu na quarta-feira as informações de vários meios de comunicação de que o governo americano pretendia armar as milícias curdas contra o Irã para provocar um levante. O governo dos Estados Unidos, no entanto, confirmou que o presidente Donald Trump conversou com “lideranças curdas” que estavam em uma base de Washington no norte do Iraque.
Também na quarta, o republicano obteve uma vitória política quando o Senado rejeitou uma resolução que pretendia limitar seus poderes nesta guerra.
Escalada do conflito
Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado 28 uma ofensiva em larga escala contra o Irã, país que acusam de querer desenvolver armas atômicas e de planejar um ataque.
Sem o seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, que morreu no primeiro dia dos bombardeios, e de vários comandantes militares, a República Islâmica respondeu com lançamentos de drones e mísseis contra Israel e alvos dos Estados Unidos e de seus aliados no Golfo.
Cidades como Dubai e Riade foram afetadas pela guerra, com as embaixadas dos Estados Unidos fechadas, turistas bloqueados, milhares de voos cancelados e refinarias e petroleiros atacados.
Além das monarquias islâmicas, o Líbano foi arrastado para o conflito após a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, atacar bases militares israelenses em solidariedade ao seu aliado; o Azerbaijão, que compra armas de Israel e faz fronteira com o território iraniano, também foi atingido por drones nesta quinta-feira. E na véspera, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico, deixando ao menos 87 mortos e dezenas de desaparecidos (uma “atrocidade”, segundo o chanceler do país, Abbas Araghchi).
Fora isso, caso seja confirmado, um ataque do Irã nesta quinta contra um petroleiro americano próximo ao Estreito de Ormuz, rota vital por onde passa 20% do comércio mundial de petróleo que o regime os aiatolás fechou no início da semana, pode escalar ainda mais o conflito.
A guerra voltou a colocar a economia mundial “à prova”, advertiu nesta quinta-feira a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. A Coreia do Sul já anunciou um fundo milionário de estabilização do mercado após uma queda histórica da Bolsa de Seul, enquanto a China, que tem uma eventual escassez, pediu às suas principais refinarias que suspendam as exportações de diesel e gasolina, de acordo com a agência Bloomberg.
Sem sinais de arrefecimento
Washington e o governo de Israel afirmaram que a capacidade de resposta da República Islâmica está se esgotando. O número de mísseis iranianos lançados contra Israel diminui “a cada dia”, declarou na noite de quarta-feira um porta-voz do Exército israelense.
“Agora estamos em uma posição de força”, garantiu Trump, depois do chefe do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, ter afirmado que os disparos de mísseis balísticos por Teerã diminuíram 86% em relação ao primeiro dia de combates e que “ataques progressivos e mais profundos em território iraniano” vão começar.
O Irã, no entanto, lançou nesta quinta-feira novas salvas de mísseis contra Israel, informaram o Exército israelense e a imprensa estatal iraniana. Os ataques não provocaram vítimas. Nesta manhã, Tel Aviv também lançou novos ataques aéreos contra Teerã e o Líbano, onde seu Exército avançou em diversas localidades fronteiriças no sul do país.
Com os bombardeios incessantes, Teerã parece uma cidade fantasma. Os moradores que não fugiram (cerca de 100 mil deixaram a capital, segundo as Nações Unidas) evitam sair às ruas.
“Teerã está tão deserta quanto ontem. Há controles de patrulhas policiais por todos os lados”, afirmou Abid, morador da capital, na plataforma de mensagens Telegram, segundo a agência de notícias AFP.