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Ele não tem as credenciais teológicas para ser o líder supremo, mas mesmo assim Mojtaba Khamenei conseguiu ser escolhido para ser apenas o terceiro ocupante do pináculo do poder no Irã em 47 anos de regime islâmico – os dois primeiros foram aiatolás, a posição mais alta na hierarquia do clero xiita, Khomeini e Khamenei. O início, hoje, dos atos fúnebres em homenagem a seu pai poderá trazer Mojtaba ao primeiro plano, mesmo sabendo que os caças israelenses estão sempre a um míssil de colocá-lo na mesma carreira de martírio do pai.

Mojtaba, de 55 anos, tem a seu favor o DNA e o apoio da mais importante e fanática formação militar do país, os Guardiões da Revolução Islâmica. Como uma espécie de chefe de gabinete do pai, transitou entre líderes militares e religiosos durante anos e já planejava substituir o velho aiatolá mesmo antes dos portentosos acontecimentos dos últimos dias.

O novo líder supremo tem também um histórico de gatunagem, com uma fortuna na casa de bilhões de dólares – o Irã é um país rico, nadando em petróleo, o povinho é que insiste em ser pobre. O patrimônio pode ter sofrido alguns abalos, pelo menos na parte investida na Venezuela e na Síria, aliados subitamente empurrados para novas situações políticas.

O momento, obviamente, é crítico e a escolha do filho do aiatolá mostra que a linha dura está prevalecendo, sem nenhuma abertura para uma solução negociada. Não que americanos e israelenses queiram suspender operações, agora que estão com o caminho cada vez mais livre para destruir a infraestrutura militar do país.

Os próximos acontecimentos mais prementes se darão em torno do Estreito de Ormuz, na sua condição de “funil” por onde passam 20 milhões de barris de petróleo por dia. Com apenas 33 quilômetros no ponto mais apertado, pode ser fechado simplesmente por terra, agora que o Irã não tem mais marinha – segundo o Comando Central dos Estados Unidos, o Irã tinha onze embarcações quando a operação Fúria Épica começou e “agora tem zero”.

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Fechar o estreito é uma cartada na qual o regime iraniano aposta muito, dentro da política de tocar fogo no circo para que países prejudicados pelo aumento do preço do petróleo pressionem os Estados Unidos a caminhar pelo encerramento da Fúria Épica. Os americanos prometeram escolta aos petroleiros na região e muito do desenrolar da guerra dependerá disso.

Sem o carisma dos dois antecessores, venerados pelos xiitas como grandes figuras religiosas, Mojtaba Khamenei assume o cargo mais perigoso do mundo, hoje, com um perfil opaco e pouco espaço de manobra.



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