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Durante uma aguardada coletiva de imprensa na Casa Branca para esclarecer as motivações, objetivos e planos dos Estados Unidos em relação à guerra no Oriente Médio, que entrou em seu quinto dia nesta quarta-feira, 4, a porta-voz de Donald Trump afirmou que o presidente está “discutindo ativamente” qual será o papel de seu governo no Irã após o fim do conflito.

De acordo com Karoline Leavitt, a queda do regime dos aiatolás, no poder desde a Revolução Islâmica de 1979, não seria a meta principal, mas uma consequência secundária da ofensiva aérea lançada em conjunto com Israel no último sábado.

“Os objetivos desta operação foram deixados muito claro, o presidente os declarou em seu discurso quando lançou esta operação e divulgou aquele vídeo no meio da noite para todos vocês e para o mundo”, disse ela. Eliminar líderes iranianos era bem-vindo, afirmou Leavitt, mas não estava entre os quatro objetivos principais. “Podemos afirmar com segurança que, até o momento, a Operação Fúria Épica tem sido um sucesso retumbante”, garantiu.

O governo americano tem tido dificuldades para definir seus objetivos em relação ao Irã após os primeiros ataques na madrugada de sábado, mas a porta-voz reiterou que as metas, definidas na terça-feira por Trump, são quatro: destruir o programa de mísseis balísticos do regime; aniquilar a Marinha e a presença naval iraniana na região; desmantelar a rede de grupos terroristas apoiados pelo Irã, responsáveis ​​por ataques contra as forças da coalizão liderada pelos Estados Unidos e que desestabilizam o Oriente Médio; e impedir que Teerã “continue a desenvolver armas nucleares” (o governo sempre negou ter essa meta, afirmando que seu programa de enriquecimento de urânio tem apenas fins civis e energéticos).

“Palpite forte”

Leavitt acrescentou que Trump estava “considerando e discutindo ativamente com seus assessores” qual seria o papel dos Estados Unidos no Irã após o fim da guerra, mas enfatizou que seu foco principal agora é “garantir o sucesso rápido e eficaz da operação”. Por ora, a posição oficial da Casa Branca é de que o envio de soldados americanos para solo iraniano não está descartado, mas “não faz parte do plano neste momento”.

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Além disso, a porta-voz declarou que os ataques foram motivados, em parte, pelo “palpite forte” de que o regime iraniano planejava atacar os Estados Unidos, afirmando que a ação seria a prova mais significativa até o momento de que o republicano “não blefa”. Ela classificou a inação como uma opção “inaceitável”, o que, segundo ela, alimentou a decisão de Trump de entrar em guerra. O momento exato dos bombardeios foi, então, determinado com base em informações de inteligência que indicavam onde o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e comandantes de alta patente estavam reunidos.

“O presidente se viu diante de uma escolha: os Estados Unidos da América usariam suas forças armadas e suas capacidades para atacar primeiro e eliminar essa ameaça que vem colocando nosso país e nosso povo em perigo há 47 anos, ou ele — como comandante-em-chefe — ficaria de braços cruzados assistindo enquanto o regime desonesto do Irã ataca nosso povo na região?”, questionou ela. “Quando o presidente Trump faz uma ameaça, ele não blefa.”

Leavitt disse ainda que o Irã “recusou-se a dizer sim à paz, e essa recusa deixou claro que sua prioridade número um era construir uma arma nuclear” que, segundo ela, seria usada “contra os americanos e nossos aliados”. Figuras do regime e o próprio Khamenei já haviam negado repetidamente que o país estivesse construindo uma bomba, reiterando que armas de destruição em massa são proibidas pelo Islã.

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Sucessão e futuro

As declarações ocorrem após o chefe do Estado-Maior Conjunto, o general Dan Caine, ter afirmado mais cedo que “ataques progressivos e mais profundos em território iraniano” vão começar, e do secretário de Defesa, Pete Hegseth, ter alertado que “é apenas o começo” das operações. Enquanto isso, os disparos de mísseis balísticos por Teerã diminuíram 86% em relação ao primeiro dia de combates, segundo Caine — a secretária de imprensa da Casa Branca garantiu que os Estados Unidos terão “domínio completo e total sobre o espaço aéreo do Irã nas próximas horas”.

Segundo a Casa Branca, sobre a sucessão de Khamenei e o futuro do regime, é preciso “esperar para ver” quem será o próximo líder supremo do Irã. Leavitt, porém, confirmou ter recebido relatos de que o segundo filho do aiatolá falecido, Mojtaba Khamenei, poderia assumir o cargo. “Isso é algo que nossas agências de inteligência estão monitorando e analisando de perto”, disse ela.

Este será apenas o segundo processo sucessório da República Islâmica desde que foi fundada, há quase meio século. Khamenei chegou ao cargo após ser apontado como herdeiro pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, antes de sua morte em 1989, mas foi assassinado sem escolher seu próprio substituto.



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