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Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro voltou nesta quarta-feira, 4, para o Centro de Detenção Provisória II, em Guarulhos, um presídio estadual na região metropolitana de São Paulo. É o mesmo estabelecimento onde esteve por cinco dias em novembro passado, antes de ser libertado por uma decisão judicial que considerou que ele não apresentava risco que justificasse sua prisão.

Vorcaro é acostumado com o luxo de jatinhos e mansões. Ele é dono de um imóvel em Orlando, nos Estados Unidos, cuja compra em 2023 segue até hoje como a transação imobiliária mais cara da cidade: 85 milhões de dólares (quase meio bilhão de reais) por um imóvel com onze quartos, doze banheiros, piscina, dois píeres e 120 metros de frente para o mar. Também tinha uma mansão em Brasília, comprada por 36 milhões de reais, que ocupa dois dos quatro lotes de um condomínio fechado no Lago Sul, que ficou conhecida por ser um ponto de encontro com políticos, empresários e outras figuras de destaque. Também ficaram célebres as festas que Vorcaro fazia numa mansão alugada em Trancoso, na Bahia, com doze suítes e cinco bangalôs, com 40 mil metros quadrados e de frente para o mar, onde foram realizadas várias festas com gente importante.

Mansão de Daniel Vorcaro em condomínio fechado no Lago Sul, em Brasília: local de festa com políticos
Mansão de Daniel Vorcaro em condomínio fechado no Lago Sul, em Brasília: local de festa com políticos (Divulgação/Divulgação)

O banqueiro agora encontrará um cenário bastante diferente no CDP II. O presídio abriga atualmente 850 presos, a capacidade máxima, de acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela Secretaria de Administração Penitenciária do estado de São Paulo. Esta não é uma constante, porém: em junho de 2025, quando a Defensoria Pública fez uma inspeção no local, havia 23 detentos a mais do que o máximo suportado.

Há oito pavilhões diferentes, divididos conforme o perfil do detento:

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  • Pavilhão 1: destinado a ex-integrantes de forças de segurança;
  • Pavilhão 2: destinado a presos midiáticos e formados em Direito;
  • Pavilhão 3: destinado a familiares de integrantes de forças de segurança;
  • Pavilhão 4: destinado a autores de feminicídio que tenham se destacado na mídia;
  • Pavilhões 5 a 7: destinado a presos civis
  • Pavilhão 8: tratado como espécie de “seguro comum”, para presos que não estão vinculados ao PCC, a chamada “oposição”.

Quando os defensores públicos estiveram no CDP, ouviram dos detentos que o local tinha ratos e percevejos e que não tinham sabonete há quatro meses. Além disso, eles disseram que frequentemente recebem alimentos estragados, principalmente feijão e leite, e que a quantidade de comida, em geral, não é suficiente.

Marmita servida no CDP II, em Guarulhos, em junho de 2025: arroz, feijão, uma salsicha partida ao meio e um pouco de batata doce
Marmita servida no CDP II, em Guarulhos, em junho de 2025: arroz, feijão, uma salsicha partida ao meio e um pouco de batata doce (Reprodução/Defensoria Pública do Estado de São Paulo/.)
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Quando esteve no CDP II em novembro, Vorcaro teve a possibilidade de se transferir para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, onde encontraria melhores condições. Ele rejeitou, no entanto, calculando que a situação em que se encontrava era tão ruim que pressionaria pela concessão de sua liberdade, ainda que provisória. Quem esteve com o banqueiro disse que ele passou por “maus bocados” na prisão, como reportou a coluna Radar Econômico, de VEJA.

O banqueiro teve a prisão preventiva mantida pela Justiça Federal em São Paulo. Vorcaro e seu cunhado, o empresário e pastor evangélico Fabiano Zettel, foram primeiro levados à Superintendência da  Polícia Federal na Lapa, na capital paulista, na manhã desta quarta-feira, 4, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Depois, passaram por audiência de custódia na qual a Justiça decidiu por manter as prisões preventivas e encaminhá-los ao CDP de Guarulhos — leia mais aqui.



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