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A capa da última edição da revista satírica francesa Charlie Hebdo, publicada nesta quarta-feira, 4, zomba da morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, retratando-o como um vaso sanitário.
O desenho mostra um vaso sanitário com os óculos e o turbante característicos do clérigo iraniano. A charge é acompanhada do texto “Ali Khamenei 1939-2026”.
A charge foi desenhada pelo editor-chefe de Charlie Hebdo, Laurent Sourisseau, sobrevivente do violento atentado contra a sede da revista francesa em 7 de janeiro de 2015, que deixou 12 pessoas mortas em Paris. O episódio foi uma retaliação às ilustrações da publicação satírica sobre o profeta Maomé.
A publicação nunca se esquivou de satirizar figuras religiosas. A revista zomba com frequência do islamismo, judaísmo e cristianismo, provocando indignação de grupos religiosos. Alguns políticos já acusaram a publicação de islamofobia e desrespeito aos valores familiares.
Em 2023, o Irã anunciou o fechamento do reconhecido Instituto Francês de Pesquisa no Irã (IFRI, na sigla em francês), após a publicação de charges consideradas ofensivas a Khamenei na revista francesa.
Atentado à revista
Em 7 de janeiro de 2015, os irmãos Chérif e Said Kouachi, franceses de origem argelina, invadiram a redação da revista, em Paris, e mataram a tiros 12 pessoas, incluindo um policial que estava do lado de fora do prédio.
O ataque marcou o início de uma série de atentados jihadistas na França e gerou o movimento global “Je Suis Charlie”, em defesa da liberdade de expressão. Dez anos após o ato violento contra a sede da revista francesa, no ano passado, as autoridades francesas organizaram eventos em homenagem às vítimas.
Morte de Khamenei
O líder supremo iraniano foi morto durante uma ofensiva conjunta dos EUA e Israel no final de semana. Khamenei governou como líder supremo por 37 anos, sendo alçado ao posto em 1989, após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, grande líder da revolução islâmica.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, definiu a morte de Khamenei como “um grande crime” e decretou um período de luto de 40 dias, além de sete dias de feriados públicos. Informações da agência de notícias estatal IRNA apontam que, enquanto um novo líder supremo não é eleito, um conselho tripartite formado pelo presidente, pelo chefe do judiciário e por um dos juristas do Conselho dos Guardiões, que assumirá temporariamente as funções de liderança no Irã. Além do aiatolá, mais de 40 oficiais de alta patente, segundo o presidente americano, Donald Trump, foram mortos no ataque de sábado.
Na terça-feira, EUA e Israel atacaram a Assembleia de Especialistas, órgão responsável pela eleição do novo líder supremo do Irã, em Qom, ao sul de Teerã, segundo a imprensa local.