
Astrônomos identificaram o sistema de quatro estrelas mais compacto já registrado nesse tipo de configuração. O conjunto, batizado de TIC 120362137, é formado por três estrelas que orbitam muito próximas entre si, enquanto uma quarta gira ao redor do trio. A descoberta foi publicada na revista Nature Communications.
Os pesquisadores analisaram dados do satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), da Nasa, combinados a observações feitas por telescópios terrestres. A partir da modelagem dos movimentos e das variações de brilho das estrelas, foi possível confirmar que se trata de um sistema hierárquico do tipo 3+1 — uma configuração rara, em que três estrelas formam um núcleo estável e uma quarta orbita esse conjunto.
O que tem de especial nessas estrelas?
O que torna o TIC 120362137 incomum é o grau de compactação. As três estrelas internas ocupam uma região comparável ao tamanho da órbita de Mercúrio ao redor do Sol. Já a quarta estrela percorre uma órbita mais ampla, mas ainda dentro de uma distância menor que a que separa Júpiter do Sol.
Em termos astronômicos, trata-se de uma configuração extremamente “apertada”. Interações gravitacionais intensas entre quatro corpos tornam esse tipo de arranjo difícil de observar e modelar, o que explica o número reduzido de sistemas semelhantes já identificados.
Além disso, os pesquisadores conseguiram detectar sinais das quatro estrelas nos dados espectroscópicos, algo incomum em sistemas tão complexos.
O estudo indica que as três estrelas internas são mais massivas e mais quentes que o Sol. A quarta estrela, que orbita o trio, apresenta características semelhantes às da nossa estrela.
O sistema tem cerca de 584 anos-luz de distância da Terra e já existe há aproximadamente 1,5 bilhão de anos. Apesar da proximidade entre as estrelas, as simulações indicam que a configuração atual é dinamicamente estável.
Os autores também realizaram simulações para estimar a evolução do sistema. O cenário mais provável aponta que, ao longo de cerca de 9,39 bilhões de anos, as quatro estrelas devem interagir e se fundir progressivamente, resultando na formação de duas anãs brancas.