A disparada do barril para a faixa de US$ 78 a US$ 80, em meio à tensão no Oriente Médio, colocou a Petrobras no grupo das empresas que “acabam sendo beneficiadas”, nas palavras de Sérgio Valle, economista-chefe da MB Associados. Segundo ele, a conta é direta: petróleo mais caro lá fora significa aumento imediato de receita com exportações e reforço na balança comercial brasileira. O mercado percebeu rápido. Enquanto a B3 operava em queda após os ataques, as ações da estatal apareciam em alta. Para Valle, o fato de o Brasil hoje ser produtor relevante ainda ajuda a amortecer a pressão cambial no fim do processo.

Laura Pacheco chama atenção para o pano de fundo geopolítico. O conflito atinge uma região que concentra algumas das maiores reservas do planeta, como Irã, Iraque e Arábia Saudita. “Qualquer instabilidade ali pode levar o petróleo a recordes que não víamos há anos”, alertou. Para um país exportador como o Brasil, isso é positivo do ponto de vista externo, fortalecendo a balança comercial e ampliando o peso estratégico da Petrobras. Mas há um efeito colateral: como o petróleo move a engrenagem da economia global, sua alta encarece cadeias produtivas e pressiona a inflação.

No mercado interno, entra a equação delicada da política de preços. A estatal opera com paridade de exportação e utiliza um “colchão” formado quando o barril esteve mais próximo de US$ 60 para segurar reajustes nas refinarias por mais tempo.



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