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Saeed Khatibzadeh, vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, afirmou neste domingo, 1º de março, que o presidente americano, Donald Trump, cruzou “uma linha vermelha muito perigosa” ao assassinar o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Em entrevista à emissora americana CNN, o diplomata garantiu que a reação não virá apenas de Teerã, mas de todo o mundo xiita, e enfatizou que uma resposta será necessária.
“Do ponto de vista religioso, ele era um grande líder, então muitos seguidores xiitas em toda a região e no mundo reagirão a isso. É muito óbvio, porque o presidente Trump cruzou uma linha vermelha muito perigosa”, disse Khatibzadeh. “Não temos outra opção a não ser responder”, acrescentou.
Após os ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no sábado, o Irã respondeu com uma onda sem precedentes de disparos retaliatórios por todo o Oriente Médio, visando vários países que abrigam bases militares americanas, incluindo Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos. Os ataques continuaram durante todo o fim de semana, matando civis, danificando propriedades e paralisando o tráfego aéreo e marítimo em toda a região.
Khatibzadeh afirmou que o governo iraniano se comunicou com os países árabes do Golfo para que fechassem as bases americanas que Teerã considera uma ameaça.
“Nós nos comunicamos com eles: ou fechavam essas bases americanas que constantemente ameaçam o Irã e são usadas para ofender o país, ou, se não tivéssemos outra opção, simplesmente revidaríamos”, afirmou ele, acrescentando que as forças iranianas “não conseguem alcançar território americano, então não temos outra opção a não ser atacar qualquer base que esteja sob jurisdição dos Estados Unidos”.
Diplomacia?
O ataque a Teerã na madrugada de sábado 28 foi uma ação coordenada dos Estados Unidos com Israel, seu aliado próximo, que é inimigo histórico do regime dos aiatolás que comandam o país persa. O presidente americano, Donald Trump, confirmou os ataques e disse que o objetivo é defender o povo americano e garantir “que o Irã não terá uma arma nuclear”.
A ofensiva israelo-americana ocorreu após o fracasso da última rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre um acordo nuclear que controlaria o programa de enriquecimento de urânio da nação persa, vista como a possível última saída diplomática. Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam bombardeado instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Tel Aviv e Teerã.
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Quando perguntado se a diplomacia ainda era uma opção, Khatibzadeh disse que os Estados Unidos “decepcionaram” o Irã diversas vezes e que “não havia necessidade de iniciar essa agressão”.
“Se o presidente Trump não queria ver o Irã retaliando, ele não deveria ter começado essa guerra”, disse o vice-chanceler. “Foi uma guerra de escolha.”
A terminologia usada não é por acaso. Nas teorias das relações internacionais, a “guerra justa” é uma estrutura ética que define conflitos necessários e moralmente permissíveis, como último recurso (legítima defesa, autorizada, proporcional). Em contrapartida, uma “guerra de escolha” é frequentemente vista como uma ação estratégica, preventiva ou eletiva, em vez de uma resposta direta a ameaças existenciais. A guerra justa exige critérios morais rigorosos, enquanto as escolhas podem ser motivadas por razões políticas ou estratégicas.