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Instalada em agosto do ano passado para apurar o roubalheira bilionária contra aposentados e pensionistas, a CPMI do INSS não conseguiu avançar até aqui em seu objetivo principal: identificar quais políticos se beneficiaram do esquema.
Em minoria no colegiado, a oposição sempre culpou o governo pelo fato de a apuração parlamentar andar de lado, sem alcançar o andar de cima, que incluiria ministros de Estados, parlamentares importantes e pessoas próximas a autoridades de primeiro escalão.
Na última quinta-feira, 26, essa alegada blindagem foi trincada com a aprovação da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República, numa decisão que acabou em troca de sopapos entre oposicionistas e governistas. Os dados do primogênito de Lula ainda não chegaram à CPMI. E talvez não cheguem.
Ameaça velada
Petistas querem que o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União Brasil – AP), anule a quebra dos sigilos de Lulinha. Eles alegam que a votação foi fraudada. Nos bastidores, contam com um carta mais importante na manga.
Desde o início da CPMI do INSS, governo Lula e Alcolumbre jogaram juntos. Por exemplo, para proteger o senador Weverton Rocha (PDT-MA), que conhecia o “Careca do INSS”, o operador da roubalheira, e é suspeito de ter recebido recursos do esquema. Rocha nega, e até agora não há provas conhecidas contra ele.
A base governista também protegeu um assessor de Alcolumbre, que recebeu três milhões de reais de uma empresa investigada no escândalo do INSS. A blindagem ao homem de confiança do presidente do Congresso continua. Em retribuição, os petistas esperam que o senador ajude a anular o revés sofrido por Lulinha, já que acordos são de mão dupla.
Atritos e dividendos
Apesar de trocarem algumas caneladas, Lula e Alcolumbre mantêm uma relação de parceria. A pauta econômica do governo, por exemplo, avançou no Congresso, cuja cúpula segura o avanço de investigações explosivas, como a do Banco Master.
A contrapartida é a altura. Basta dar uma olhadinha na lista de cargos que o senador tem na administração pública. Ela inclui ministérios, diretorias de bancos públicos e agências reguladoras e cargos de comando em autarquias diversas.