
(Marcio Nunes/TV Globo)
Morreu neste sábado, 28, aos 78 anos, Dennis Carvalho. O ator e diretor deixa um legado que moldou a teledramaturgia brasileira. Ao longo de mais de quatro décadas, acumulou mais de 40 trabalhos na TV Globo entre novelas, minisséries e especiais, tornando-se um dos nomes mais influentes dos bastidores da emissora. Parte essencial dessa trajetória foi a parceria com Gilberto Braga (1945-2021), responsável por obras que redefiniram padrões narrativos e permanecem como referência na televisão até hoje.
A primeira parceria entre autor e diretor foi em Dancin’ Days (1978). Protagonizada por Sonia Braga, a novela se tornou um fenômeno nacional ao retratar a ascensão das discotecas e mudanças comportamentais do Brasil do fim dos anos 1970. Dez anos depois, os dois deixaram mais uma marca da televisão com a primeira versão de Vale Tudo (1988). Considerada o ponto máximo da parceria, o folhetim é até hoje uma das maiores novelas da história da teledramaturgia, discutindo corrupção, ética e desigualdade social, eternizando personagens como Odete Roitman.
Já nos anos 2000, a dupla voltou a trabalhar junta em Celebridade (2003), com Malu Mader e Cláudia Abreu. Uma crítica ao universo da fama e da cultura das celebridades, antecipando debates sobre exposição midiática e obsessão por notoriedade. A ultima grande parceria de Dennis e Gilberto, Insensato Coração (2011) manteve marcas clássicas da dupla: personagens moralmente ambíguos, conflitos contemporâneos e um olhar crítico sobre poder e status social.
Já no formato de séries, os dois colocaram seus nomes no retrato de uma juventude sob a ditadura militar em Anos Rebeldes (1992), que se tornou uma das produções mais emblemáticas da TV por unir memória histórica e drama geracional.