O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantou nesta sexta-feira, 27, a possibilidade de uma “tomada amigável” de Cuba. A repórteres na Casa Branca, o republicano disse que seu secretário de Estado, Marco Rubio, está lidando com a questão em um “nível muito alto”. 

“Poderíamos muito bem acabar tendo uma tomada amigável de Cuba depois de muitos anos”, disse. “Eles estão em grande dificuldade e poderíamos muito bem fazer algo bom, eu acho, muito positivo para as pessoas que foram expulsas, ou pior, de Cuba e que vivem aqui”.

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Segundo Trump, o governo de cuba estaria “conversando conosco”. O presidente americano não especificou o que seria a “tomada amigável” ou deu qualquer detalhe de possíveis ações contra Cuba.

A declaração foi feita poucas horas depois de o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, reforçar que Havana se defenderá “de qualquer agressão terrorista”, citando um tiroteio entre militares cubanos e uma embarcação americana que, segundo o governo cubano, teria tentado se infiltrar na ilha caribenha.

“Cuba se defenderá com determinação e firmeza diante de qualquer agressão terrorista e mercenária que pretenda afetar sua soberania e estabilidade nacional”, disse em publicação nas redes sociais.

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O episódio ocorre em um momento de relações já deterioradas entre Washington e Havana.

Desde que reassumiu a Casa Branca, Trump retomou parte da política de “pressão máxima” contra o regime cubano, endurecendo sanções e reforçando restrições financeiras. Cuba, por sua vez, acusa os EUA de asfixiar sua economia e estimular a instabilidade interna.

Após a operação em janeiro que capturou o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, um dos maiores aliados de Cuba, Donald Trump revigorou a pressão para tentar forçar a derrubada do regime de seis décadas de Cuba.

Historicamente, quase todo o combustível importado por Cuba era comprado pelo Estado, sendo a Venezuela e, posteriormente, o México, as principais fontes de petróleo. Esses suprimentos diminuíram em meio a uma restrição de petróleo imposta pelos EUA à Venezuela e à pressão diplomática americana sobre outros aliados de Havana na região.

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Na segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, declarou em Genebra, na Suíça, que os Estados Unidos estariam promovendo uma política de bloqueio energético com a intenção de desencadear uma “catástrofe humanitária” na ilha. Segundo o chanceler, Washington estaria usando a alegação de que Havana representa uma ameaça à sua segurança nacional como pretexto para justificar medidas que agravam a escassez de combustível e os frequentes apagões no país.

O agravamento das condições de vida em Cuba motivou mobilização internacional. Grupos de movimentos sociais, sindicatos e organizações humanitárias anunciaram planos para enviar um comboio ao país até 21 de março, com alimentos, medicamentos, suprimentos médicos e itens essenciais, na tentativa de amenizar os efeitos da escassez.

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Um jornal russo informou na semana passada que Moscou estava se preparando para enviar cargas de petróleo bruto e combustível para a ilha comunista em um futuro próximo, sem fornecer uma data específica. O México também afirmou que pretende enviar ajuda humanitária.

A situação dramática também se expande para outras áreas da sociedade. O site estatal Cubadebate informou este mês que apenas 44 dos 106 caminhões de lixo de Havana puderam continuar operando devido à escassez de combustível, retardando a coleta de lixo e criando montanhas de resíduos em partes da capital.

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No início do mês, a Organização das Nações Unidas (ONU) alertou sobre a rápida deterioração da situação em Cuba. O secretário-geral da entidade, António Guterres, advertiu para o risco de um “colapso humanitário” caso o país não consiga importar petróleo suficiente para atender às necessidades básicas da população.

Segundo o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, a escassez de combustível compromete diretamente serviços essenciais, como hospitais, abastecimento de água, transporte público e a distribuição de alimentos. “O secretário-geral está muito preocupado com a situação humanitária em Cuba, que pode se agravar severamente — ou mesmo entrar em colapso — se suas necessidades de petróleo não forem atendidas”, afirmou.

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