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Desde o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, de 2017 a 2021, Washington acusa o TikTok de coletar dados de cidadãos americanos para o Partido Comunista Chinês. A ByteDance, dona do aplicativo, sempre negou, mas não teve alívio: em 2024, o Congresso aprovou uma lei exigindo que a empresa vendesse a operação americana ou fosse banida. A Suprema Corte endossou a constitucionalidade da medida e, em janeiro de 2025, o app chegou a sair do ar por catorze horas — até Trump decidir adiar o banimento enquanto negociava um acordo com os chineses. Usuários e, principalmente, vendedores do TikTok Shop passaram anos aflitos com a possibilidade de perder o sustento.

Em 22 de janeiro de 2026, o impasse finalmente foi resolvido com a criação da TikTok USDS Joint Venture LLC. Pela nova estrutura, a ByteDance retém apenas 19,9% da operação americana; os outros 80,1% ficam com investidores não chineses — liderados pelas empresas Oracle, Silver Lake e o fundo MGX, dos Emirados Árabes, com 15% cada uma. O valor da transação foi estimado em 14 bilhões de dólares. Após a venda, Shou Zi Chew, presidente global do TikTok, comemorou a possibilidade de continuar contando com a “criatividade” e a “paixão” dos usuários americanos.

O acordo representa uma vitória para Larry Ellison, fundador da Oracle e um dos principais aliados de Trump, que agora ganha influência sobre uma das redes sociais mais populares do mundo — a Oracle será a parceira de segurança responsável por auditar o algoritmo e garantir que a ByteDance não tenha acesso aos dados dos 200 milhões de usuários americanos. Críticos apontam que a concentração de poder nas mãos de um bilionário próximo ao governo levanta questões sobre moderação de conteúdo: se antes havia receio de influência chinesa, agora há quem tema viés político americano. Para os tiktokers, não será necessário nem sequer baixar um novo aplicativo. Mas o algoritmo, o ingrediente secreto do sucesso do TikTok, será “retreinado” usando apenas dados americanos.

Publicado em VEJA, fevereiro de 2026, edição VEJA Negócios nº 23



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