Dona Maria Aparecida, de 52 anos, ainda aguarda esperançosamente por uma cirurgia de amputação no pé direito, membro contaminado por uma infecção fúngica grave, conhecida como micetoma eumicótico. Mas o que é essa doença?

O médico infectologista Dr. Hemerson Luz esclarece que é uma infecção crônica causada por aproximadamente 20 tipos de fungos diferentes e que se manifesta inicialmente na pele. “Ela invade o tecido subcutâneo, podendo chegar até os ossos”, conta.

O especialista contou ao Metrópoles que o micetoma eumicótico é uma doença tropical que geralmente atinge trabalhadores rurais, por se tratar de um microrganismo presente em solos contaminados. Os fungos penetram a pele por meio de pequenas feridas nos membros. Os pés estão entre os locais mais comuns. “É o contato do fungo com a pele machucada, como pequenas feridas causadas por espinhos e farpas, que causa a doença. Atinge, principalmente, pessoas que andam descalças”, diz.

Hemerson ainda revela que a doença começa sem dor, o que faz com que muitos pacientes ignorem o problema. Segundo o médico, no estágio inicial, um nódulo se forma e, se não tratado, evolui até surgir fístulas e lesões que vão crescendo à medida em que o atendimento médico não é feito.


Sintomas

  • Na fase inicial, a doença se manifesta com um pequeno nódulo indolor que vai evoluindo lentamente.
  • Após um tempo, começam a surgir fístulas – onde saem grãos (fúngicos) regressivos -, causando inchaço e deformação na área infectada.
  • No estágio avançado, ocorre a deteriorização e comprensão de tecidos e nervos, o que pode causar dor.
  • Conforme a doença vai progredindo, ela destrói músculos, tendões e ossos.

Diagnóstico e tratamento

De acordo com o médico, os médicamentos antifúngicos podem ajudar a controlar a doença, mas a infecção costuma ser resistente aos remédios, e por isso o tratamento pode durar anos, e dependendo da gravidade das lesões é recomendado intervenções cirúrgicas para a retirada dos tecidos mortos, ou até mesmo a amputação do membro atingido.

Ele ressalta que o diagnóstico precoce é de extrema importância e que o paciente deve procurar atendimento médico toda vez que aparecerem nódulos, feridas e pequenas lesões, principalmente se não houver resolução em até sete dias.

Além do diagnóstico precoce, algumas medidas podem ajudam a evitar contrair esse tipo de fungo, como usar roupas e calçados de proteção no trabalho em campo, na agricultura, ou no cuidado com animais, para evitar cortes ou pisar em espinhos e farpas presentes no solo.

No caso de qualquer corte, arranhão ou picada ao ar livre, é importante lavar o local lesionado para evitar contaminações.

“É importante procurar um posto de saúde, ser avaliado por um médico, pois o quanto antes começar o tratamento farmacológico, ou mesmo fazer a cirurgia é melhor para o paciente”. 

Para Hemerson, a amputação será, de fato, a melhor saída para Maria Aparecida, pois com a retirada completa da infecção, a aposentada terá mais qualidade de vida, além de evitar quadros de infecções secundárias ou até mesmo a sepse.



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