O camarão-pistola (Alpheidae) é conhecido por ter um dos socos mais poderosos da natureza. O movimento é tão rápido que faz um estalo na água — lembrando um disparo de arma de fogo —e cria ondas de choque. Depois de acertar a presa, o recuo do golpe atinge o crustáceo, mas ele não se fere por possuir um “capacete” de proteção contra o impacto. 

A cobertura orbital protetora é uma extensão da carapaça do camarão e amortece as ondas de choque, evitando que elas afetem os tecidos neurais do crustáceo.

O mecanismo de defesa já era conhecido, mas pesquisadores das universidades da Carolina do Sul e de Tulsa, ambas nos Estados Unidos, estudaram as características dele mais a fundo para entender como elas impactam a proteção do camarão-pistola.

O trabalho teve os resultados publicados no Journal of the Royal Society Interface, em 11 de fevereiro.

Proteção do camarão-pistola

Através de exemplares do crustáceo, foram realizados testes mecânicos na cobertura orbital e no restante da carapaça. O objetivo era comparar a rigidez e a capacidade de absorção energética de ambas. Análises com microscopia eletrônica também ajudaram a observar as estruturas internamente.

Os resultados mostraram que o capacete possui apenas metade da rigidez da carapaça, porém, ele consegue absorver o dobro de energia. A capacidade está ligada a estruturas flexíveis que compõem a cobertura orbital, amortecendo as ondas de choque e dissipando a força delas. 

Simulações computacionais também mostraram que o capacete diminui em cerca de 28% a tensão no cérebro e olhos e em 22% o estresse vindo das ondas de choque do recuo.

“Acreditamos que as estruturas orbitais amortecem as ondas de choque por meio de uma série de mecanismos que trabalham juntos e funcionam para otimizar a absorção de energia em escala microscópica e o redirecionamento de energia em um nível mais macroscópico”, afirmam os autores do estudo.

Os pesquisadores acreditam que estudos mais aprofundados sobre a estrutura de proteção do camarão-pistola podem ter desdobramentos para a realidade humana, ajudando a criar capacetes mais resistentes e capazes de minimizar ou até prevenir lesões cerebrais em situação de impacto.



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