A ex-secretária de Estado Hillary Clinton negou qualquer relação com o financista Jeffrey Epstein ao depor na Comissão de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos nesta quinta-feira, 26.
Em declaração inicial, afirmou que “nunca voou no avião dele nem visitou sua ilha, casas ou escritórios” e disse não se recordar de ter encontrado o empresário, condenado por crimes sexuais.
Hillary afirmou ter apresentado, em 13 de janeiro, declaração sob juramento dizendo desconhecer as atividades criminosas de Epstein e de sua ex-associada, Ghislaine Maxwell.
Segundo ela, a intimação partiu da “suposição equivocada” de que teria informações sobre as investigações. “Não tenho nada a acrescentar”, disse.
A ex-secretária classificou o financista como um “indivíduo hediondo”, mas argumentou que a comissão tem agido de forma partidária e pouco transparente. Para Hillary, o foco deveria ser avaliar falhas institucionais que permitiram que Epstein firmasse, em 2008, um acordo judicial considerado brando na Flórida e escapasse de punições mais severas por anos.
Em tom político, ela pediu que o presidente Donald Trump seja ouvido sob juramento. “Se a comissão é séria, deveria perguntar diretamente ao atual presidente sobre as dezenas de milhares de menções a seu nome nos arquivos”, afirmou, ecoando críticas de democratas que pressionam por maior transparência.
O deputado James Comer, republicano que preside a comissão, rejeitou a acusação de partidarização. Disse que a investigação é bipartidária e que democratas também votaram para convocar os Clinton.
Segundo ele, o objetivo é esclarecer como Epstein acumulou fortuna e se houve falhas do governo na condução dos processos.
Comer frisou que ninguém está sendo acusado formalmente, mas que “há perguntas legítimas” sobre vínculos sociais e financeiros do financista com figuras públicas.
Entre os nomes citados como possíveis alvos de questionamentos está o secretário de Comércio Howard Lutnick, que já admitiu ter almoçado com Epstein em sua ilha privada.
O deputado democrata Robert Garcia defendeu que o mesmo padrão aplicado aos Clinton valha para Trump.
Paralelamente, o Departamento de Justiça informou que analisará se documentos dos chamados “arquivos Epstein” foram retidos de forma indevida.
Veículos de imprensa noticiaram que entrevistas do FBI envolvendo acusações antigas contra Trump não teriam sido integralmente divulgadas. Democratas anunciaram que abrirão investigação para apurar eventual omissão.
O caso Epstein, que voltou ao centro do debate político em meio à campanha presidencial, mantém pressão sobre republicanos e democratas.
Para Hillary, a prioridade deveria ser garantir justiça às vítimas de tráfico sexual e reforçar mecanismos de responsabilização. “A questão é o que está sendo escondido, quem está sendo protegido e por quê”, afirmou.