
O presidente do Conselho de Administração da Caixa Econômica, Rogério Ceron, afirmou que os membros do conselho do banco federal se reuniram nesta semana para conversar sobre a situação do Banco Regional de Brasília (BRB). Segundo Ceron, a reunião foi realizada para dialogar sobre como a Caixa seria útil na situação.
De acordo com Ceron, a Caixa poderia comprar algumas carteiras de crédito do BRB para colaborar com a liquidez, mas, ao mesmo tempo, a transação deve ser um negócio atrativo para a instituição. “A Caixa está em diálogo com o BRB. No entanto, ainda não identificamos alguma carteira que seja propositiva ao nosso modelo de negócio”, concluiu Rogério Ceron, em fala proferida nos bastidores do evento de premiação da Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira (Olitef) realizado nesta quinta-feira, 26.
O BRB passa por dificuldades de liquidez após se envolver em polêmicas no caso do Banco Master, o que gerou uma corrida de saques contra a companhia. A compra do BRB pela Caixa chegou a ser veiculada na imprensa nesta semana, mas a compra total foi rebatida por Ceron.
Conforme apurado por VEJA, a companhia vendeu 5 bilhões de reais em ativos. Ainda assim, a instituição financeira não resolveu todos os seus problemas. A estimativa é que o banco tenha um passivo de até 15 bilhões de reais, além de outros 5 bilhões herdados do Master.
Na última terça-feira, 24, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), protocolou um projeto de lei na Câmara Legislativa distrital para realizar um aporte de até 6,6 bilhões de reais no Banco Regional de Brasília (BRB) com o uso de empréstimos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e outras instituições financeiras.
Segundo a proposta, o Distrito Federal ficaria autorizado a adotar medidas destinadas à recomposição, reforço ou ampliação do patrimônio líquido e do capital social da instituição financeira, mediante três alternativas:
- Integralização de capital social, realização de aportes patrimoniais e outras formas juridicamente admitidas de reforço patrimonial, inclusive com bens móveis ou imóveis
- Venda prévia de bens públicos, móveis ou imóveis, com posterior destinação do produto da venda ao reforço patrimonial do BRB
- Outras medidas juridicamente admitidas que atendam às normas do sistema financeiro nacional, inclusive operações de crédito com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou instituições financeiras, até o limite de 6,6 bilhões de reais
No caso da venda de bens públicos, o governo do Distrito Federal poderá transferir diretamente os bens ao BRB para que este promova sua alienação ou exploração econômica.
Há também outras possibilidades, como promover a alienação prévia dos bens e aportar ao BRB o produto financeiro obtido; estruturar operações combinadas ou sucessivas envolvendo as alternativas anteriores; realizar operações de securitização, constituição de fundos de investimento imobiliário ou patrimonial, sociedades de propósito específico ou outras estruturas financeiras destinadas à monetização dos ativos.
“A venda de bens públicos só será permitida a partir de prévia avaliação, compatibilidade com o interesse público e o respeito às normas de governança e transparência”, diz o documento.