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A Ucrânia pretende cobrir 4.000 km de estradas com redes antidrones até o final de 2026, anunciou nesta quarta-feira, 25, o ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov. O objetivo da medida é proteger as rotas de abastecimento militar, cada vez mais visadas por aeronaves remotas controladas pela Rússia.
“Planejamos fechar 20 km de estrada por dia em março. Até o final do ano, pretendemos instalar mais 4.000 km de proteção antidrones ao longo das vias”, explicou Fedorov em comunicado no Telegram. De acordo com o ministro, esses equipamentos garantem o funcionamento estável das comunidades na linha de frente e garantem a segurança dos deslocamentos militares.
Kiev vem instalando um número crescente de redes desde o início de 2025. Tais estruturas tem a capacidade de prender as hélices dos drones, impedindo que estes ataquem seus alvos — geralmente equipamentos de alto valor, soldados e civis. No entanto, a quantidade atual de redes ainda não é suficiente para as necessidades ucranianas, fazendo que o governo busque acelerar a produção.
Suspensas sobre postes de madeira com cerca de 6 metros de altura, essas redes são uma alternativa barata e surpreendentemente eficaz contra os equipamentos russos. De acordo com a emissora britânica BBC, grande parte do material utilizado por Kiev atualmente é oriundo de doações feitas por pescadores europeus, tendo de passar por testes de eficácia antes da implementação.
Para custear a expansão da rede, cerca de 37 milhões de dólares foram alocados do orçamento ucraniano. “Em apenas um mês, aumentamos a velocidade de 5 km por dia em janeiro para 12 km em fevereiro”, expliou Fedorov.
Além das estruturas antidrones, a Ucrânia também pretende acelerar a construção de fortificações em áreas proximas do domínio russo. Segundo o ministro, o objetivo de Kiev é intensificar as defesas das regiões de Kharkiv, Sumy e Chernihiv. Todos os três territórios fazem fronteira com a Rússia.
A invasão da Rússia à Ucrânia completou quatro anos na última terça-feira e a economia ucraniana atravessa um de seus momentos mais turbulentos. O índice mensal de recuperação da atividade empresarial do Instituto de Pesquisa Econômica em Kiev, que compara o número de empresas que relatam se seus negócios estão piores ou melhores do que no ano anterior, ficou negativo em fevereiro pela primeira vez desde 2023.
A reconstrução da economia e da infraestrutura da Ucrânia, caso a guerra acabasse agora, custaria US$ 588 bilhões (R$ 3 trilhões) em dez anos, segundo uma estimativa divulgada pelo Banco Mundial, em um estudo feito em conjunto com as Nações Unidas, a Comissão Europeia e o governo ucraniano.
O Center for Strategic and International Studies (CSIS), com sede em Washington, calcula que entre 500 mil e 600 mil militares da Ucrânia tenham sido mortos, feridos ou estejam desaparecidos desde o início da guerra, sendo entre 100 mil e 140 mil o número de mortos. A cifra seria maior do que os dados oficiais divulgados pelo governo de Volodymyr Zelensky, que afirmou no início deste mês que 55.000 soldados ucranianos morreram na guerra.
Do lado russo, até 325 mil russos morreram entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2025. Considerando também feridos e desaparecidos, o total de baixas russas pode alcançar até 1,2 milhão de militares.
O total exato de mortos é mantido em sigilo tanto por Moscou quanto por Kiev, que evitam divulgar números que possam indicar fraqueza.