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Quem acompanhou os movimentos recentes sobre o fim da escala 6×1 percebeu a mudança de temperatura. O presidente da Câmara, Hugo Motta, que vinha sendo visto como determinado a levar adiante a votação da PEC, adotou um tom bem mais cauteloso em entrevista ontem. Em vez de acelerar o calendário, passou a defender que é preciso “ouvir todas as partes” antes de qualquer avanço. Falou em equilíbrio entre trabalhadores e setor produtivo, em responsabilidade e em evitar que o tema vire palanque. A fala vem exatamente na semana em que as entidades que representam o setor produtivo como a indústria prometem brigar por uma discussão mais ampla sobre a mudança.
Freio
Motta reforçou que a proposta ainda precisa cumprir o rito nas comissões, começando pela CCJ, e destacou que o impacto é grande demais para decisões apressadas. Também mencionou a necessidade de discutir eventuais compensações às empresas, como a desoneração da folha, caso a redução de jornada avance. É o reconhecimento de que, no papel, a ideia pode soar simples, mas na planilha a conta é mais sensível.
Ponderação
No campo econômico, a avaliação é menos dramática do que parte do mercado sugere. Carla Beni, economista, professora da FGV e conselheira do Corecon-SP, pondera que projeções de “impacto econômico gigante” precisam ser vistas com cuidado. Segundo ela, mudanças desse porte costumam gerar um choque inicial, mas abrem espaço para adaptação gradual das empresas. A discussão, lembra, tende a passar por um escalonamento — sair das atuais 44 horas semanais para uma redução progressiva, o que dilui custos e permite reorganização produtiva. A economista defende que o mercado já mudou, as empresas já estão reduzindo a jornada, e sem grandes perdas financeiras. “É natural que você tenha movimentos contra ou que você tenha vários cálculos a respeito de uma certa tragédia que poderia acontecer”, resume.