O delegado Leonardo Sanches, de 44 anos, titular da Delegacia da Polícia Civil de Silvânia, tornou-se o primeiro paciente goiano a receber a terapia experimental com polilaminina — biomaterial desenvolvido para estimular a regeneração de lesões medulares. Tetraplégico desde um grave acidente ocorrido em julho do ano passado, ele passou pelo procedimento em janeiro deste ano, no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia (GO), adininistrado pela equipe do Rio de Janeiro, responsável pela pesquisa com a proteína.

Leonardo conseguiu acesso à substância após decisão judicial – o processo segue em segredo de justiça.

A expectativa da equipe médica e da família é que o tratamento ajude a reduzir as sequelas da lesão na medula espinhal em decorrência do acidente e possibilite, gradualmente, ganhos motores que possam levá-lo a voltar a andar. Embora os resultados ainda estejam em fase inicial de avaliação, a terapia é vista como uma esperança de recuperação funcional.


Relembre o caso

  • O acidente que deixou o delegado tetraplégico ocorreu em 31 de julho de 2025, na GO-330, entre Silvânia e Leopoldo de Bulhões (GO). A viatura da Polícia Civil capotou após o motorista tentar desviar de um caminhão que trafegava no sentido contrário e teria invadido a pista.
  • De acordo com as investigações, o caminhão avançou para a contramão ao tentar desviar de um carro parado na rodovia com pneu furado. O veículo era ocupado por três pessoas, de 17, 18 e 30 anos. Para evitar uma colisão frontal, o condutor da viatura saiu da pista, momento em que o carro capotou.
  • No acidente, morreram o policial civil Ananias Batista, de 52 anos, e a estagiária Amanda Monteiro, de 19. Sobreviveram o delegado Leonardo Sanches e a estagiária Ana Caroliny Siqueira, de 18 anos.
  • Leonardo permaneceu internado por 56 dias em unidades de saúde de Anápolis e Goiânia. Ele recebeu alta médica em 25 de setembro de 2025, mas ficou com lesão medular grave que resultou em tetraplegia.
  • Testes do bafômetro foram realizados no motorista do caminhão e nos ocupantes do carro parado na pista. Segundo as autoridades, os exames não indicaram consumo de álcool.

Veja momento do acidente

Equipes da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e socorristas em atendimento a vítimas de acidente na GO-330
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Equipes da Polícia Civil de Goiás (PCGO) e socorristas em atendimento a vítimas de acidente na GO-330

PCGO/Reprodução

Carro descaracterizado da PCGO capotou na GO-330, após ser atingido por caminhão
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Carro descaracterizado da PCGO capotou na GO-330, após ser atingido por caminhão

PCGO/Reprodução

Duas pessoas morreram, e duas ficaram feridas
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Duas pessoas morreram, e duas ficaram feridas

PCGO/Reprodução

 

O que é a polilaminina

A polilaminina é um biomaterial sintético desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Inspirada na laminina — proteína presente na matriz extracelular e fundamental para o crescimento e a sobrevivência dos neurônios —, a substância foi criada para favorecer a regeneração da medula espinhal após lesões traumáticas.

O tratamento atua reduzindo a inflamação no local da lesão, modulando o microambiente neural, favorecendo a sobrevivência celular e estimulando o crescimento de axônios. A proposta é permitir a reconexão do tecido nervoso danificado, o que pode resultar na recuperação parcial de movimentos e sensibilidade.

Os resultados iniciais foram obtidos em estudos pré-clínicos e publicados na revista científica Acta Biomaterialia. Em janeiro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início do estudo clínico de fase 1, destinado a avaliar a segurança da terapia em humanos.

Caso os dados confirmem a segurança do procedimento, a pesquisa poderá avançar para a fase 2, quando se avalia a eficácia inicial, e posteriormente para a fase 3, etapa que amplia o número de participantes para confirmar eficácia e segurança.

Se comprovada segura e eficaz, a polilaminina poderá representar um avanço na medicina regenerativa, com potencial para melhorar a qualidade de vida de pessoas com lesões medulares graves — como a do delegado Leonardo Sanches — e ampliar as chances de recuperação motora, incluindo a possibilidade de voltar a andar.

 



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