Um dos locais mais afetados pelos deslizamentos provocados pelas chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, o Parque Burnier é palco de uma agonizante busca por familiares, amigos e conhecidos. A estimativa é que cerca de quinze pessoas possam ainda estar soterradas na região. Equipes do governo do estado enviadas à cidade chegaram à localidade para reforçar o cansativo trabalho de busca.

“Um estrago nunca antes visto”: é essa a frase que mais se ouve em qualquer ponto da cidade depois que o Rio Paraibuna saiu da calha — o nível da água permanece no limite das pontes dezesseis horas após o temporal –, mas nos bairros mais atingidos, como o Parque Burnier, o que mais se vê são os rostos cansados pela noite em claro em busca de sobreviventes.

Ali uma grande família foi soterrada. Maria Helena Batista aguarda por notícias da filha e três netos. Muitas outras pessoas podem estar encobertas pela lama, boa parte delas crianças. “A minha filha está lá debaixo dos escombros, o meu neto está debaixo dos escombros, outro netinho pequeno está debaixo dos escombros, a minha neta está debaixo dos escombros. E tem mais três pessoas lá debaixo, porque até agora só conseguiu retirar uma criança, não conseguiu retirar o resto”, conta — ouça o relato abaixo.

Doze casas foram levadas abaixo com o deslizamento de terra. Até o início da tarde, dez pessoas haviam sido socorridas, segundo levantamento dos Bombeiros. Cinco corpos foram retirados dos escombros. O resgate dos sobreviventes contou com o apoio de voluntários, como Daniela Ramos, que veio do bairro vizinho ajudar e socorreu uma mulher com ferimento na perna. Horas depois, ainda no local do desastre, a socorrista recebeu a ligação de que a mulher havia tido alta hospitalar.

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Veja abaixo vídeos com imagens da movimentação na região após a tragédia:

 

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Integrantes da Defesa Civil e do Governo de Minas Gerais chegaram no início da tarde. Entre eles estava o vice- governador, Matheus Simões (PSD), que ressaltou a importância em se rever a construção em áreas de risco. Benedina Fonseca foi uma das moradoras que tiveram a casa interditada pela Defesa Civil. Ela passou a noite em claro acompanhando o resgate dos vizinhos. E reforçou que, nos quarenta anos em que mora no bairro, nunca vivenciou tamanha tragédia.

Em meio à tristeza, as doações aos atingidos chegavam de diferentes formas. Os amigos Cleuber Silveira Mendes e Breno Galdino Silva saíram de moto, debaixo de chuva, para recolher mantimentos, roupas e produtos de higiene. Ajuda bem-vinda à dona Maria Helena, que vai precisar passar uma das noites mais tristes de sua vida no salão da igreja evangélica local enquanto aguarda por notícias da família desaparecida.

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Tragédia

Segundo balanço das autoridades, há ao menos 24 mortos na Zona da Mata mineria — dezoito em Juiz de Fora e seis em Ubá. Em Juiz de Fora, há 47 desaparecidos, 200 desabrigados e 400 desalojados. A Defesa Civil da cidade diz que atendeu a 265 ocorrências de deslizamento — veja matéria aqui.



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