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O ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos-PE) nega que esteja incorrendo em crime eleitoral ao usar adesivos retangulares grandes que demonstram seu apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República. O PT já informou que vai entrar com uma representação judicial contra ele por causa do que chamou de campanha eleitoral antecipada.
Em um vídeo em que aparece ao lado do ex-ministro da Saúde, o paraibano Marcelo Queiroga, na última terça-feira, 17, Machado alegou que os adesivos foram feitos com dinheiro privado e que não pedem o voto de ninguém em nenhum número específico. “Vão entrar agora com um processo contra Gilson Machado por eu ter… Estão aqui os adesivos. Cada um faz o seu, é um movimento espontâneo. Estão nas minhas redes sociais, quem quiser baixe o adesivo de Flávio Bolsonaro, porque é com o dinheiro de cada um que acredita numa pré-campanha. Isso não é ilegal. Não está falando em campanha, não tem número, nada (…). Esse adesivo não é feito com dinheiro público. Brevemente, teremos vários adesivaços. Não só aqui em Pernambuco, como em todo Nordeste”, diz Machado.
Em outro vídeo, no entanto, também ao lado de Queiroga e publicado nas redes sociais dos dois, em colaboração, Machado diz que está em campanha por Flávio. “A gente está aqui nesta campanha. Não tem meu nome, nem o seu, Queiroga. Tem o nome de Flávio, porque a gente tem que correr atrás das eleições de Flávio Bolsonaro no Nordeste neste ano”, afirma. Já Queiroga complementa em tom de solicitação de voto: “Agora, em 2026, você que é admirador de Jair Bolsonaro, você vota em Flávio Bolsonaro. Nós somos admiradores dos dois”. Veja abaixo.
Pela lei, não configuram propaganda eleitoral antecipada a menção à pretensa candidatura, a exaltação das qualidades pessoais dos pré-candidatos e os atos, que poderão ter cobertura dos meios de comunicação social, inclusive via internet, desde que não envolva pedido explícito de voto.
Questionado por VEJA diretamente sobre sua ação com os adesivos, Gilson Machado disse que ainda não foi notificado formalmente, que não incorreu em crime eleitoral e que está à disposição para esclarecer os fatos. “Até o presente momento, não fui cientificado do inteiro teor da suposta representação eleitoral do líder do PT. Aguardaremos a total compreensão e, a partir disso, nos manifestaremos nos autos, uma vez que respeitamos a legislação eleitoral. (…) Sobre o vídeo do adesivo de Flávio Bolsonaro, informo de antemão que o mesmo não ofende o artigo 36-A da Lei 9504/97, razão pela qual não temos preocupação alguma com qualquer representação eleitoral de quem quer que seja. Nos colocamos à total disposição para quaisquer esclarecimentos”, finalizou.