
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou nesta quarta-feira, 4, para o risco de um “colapso” humanitário em Cuba caso o país não consiga importar petróleo para atender às suas necessidades básicas. A declaração foi feita em meio à interrupção no fornecimento de combustível à ilha, atribuída a pressões e ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“O secretário-geral está muito preocupado com a situação humanitária em Cuba, que irá piorar, ou entrar em colapso, se suas necessidades de petróleo não forem atendidas”, afirmou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
O agravamento da crise ocorre em um momento de endurecimento da política americana em relação à ilha. Nos últimos dias, Donald Trump voltou a atacar o regime cubano, classificando o país como uma “nação falida” e afirmando que Havana deixou de receber apoio financeiro e energético da Venezuela após a queda de Nicolás Maduro.
O presidente americano também declarou que o México deixará de enviar petróleo a Cuba, um dia depois de ameaçar impor tarifas a países que comercializem combustível com o governo cubano. O fim do fornecimento de petróleo bruto mexicano para Cuba agravaria significativamente a grave crise econômica da ilha, a pior desde o colapso da União Soviética em 1991.
“Eles não estão recebendo dinheiro da Venezuela e não estão recebendo dinheiro de lugar nenhum”, disse Trump a repórteres. Ao mesmo tempo, afirmou que seu governo está em negociações com líderes cubanos. “Acho que estamos bem perto. Estamos conversando com as pessoas mais importantes de Cuba neste momento”, acrescentou.
O governo cubano, no entanto, tem adotado um tom cauteloso. O vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, confirmou que houve trocas de mensagens entre os dois países, mas evitou classificar os contatos como um diálogo formal. “Temos embaixadas, tivemos comunicações, mas não podemos dizer que houve uma mesa de diálogo”, afirmou em entrevista à agência Reuters, em Havana. Segundo ele, Washington sabe que Cuba está disposta a manter uma conversa “séria, significativa e responsável”.
Ainda assim, o governo cubano acusa Trump de querer “sufocar” sua população, que sofre periodicamente com apagões e escassez de combustível nos postos de gasolina.