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Indicado a quatro categorias no Oscar, O Agente Secreto tem no seu elenco um personagem curioso: a violenta perna cabeluda, que aterroriza a população e estampa as páginas de jornais de Pernambuco durante o longa.

A figura curiosa é uma lenda real que ganhou força na década de 1970, quando populares procuraram a imprensa para relatar o caso, enquanto militares enviavam censores às redações para controlar o que saía na imprensa. Como forma de burlar a censura, o Diário de Pernambuco criou uma seção de romance policial em que histórias fictícias abordavam nas entrelinhas temas proibidos pelos militares. A lista de temas vetados era extensa, incluindo assuntos ligados à brutalidade policial e também agressões contra mulheres e grupos marginalizados.

Nesse contexto, a perna cabeluda se fortaleceu como uma história absurda que circulava no boca a boca pela cidade, e que era capaz de passar pelo crivo dos militares. De acordo com a versão mais famosa da história, o membro surgiu no jornal pela primeira vez em 1975, quando um homem cheio de hematomas invadiu a redação dizendo que havia sido espancado por uma perna cabeluda com vida própria.

Depois isso, o inusitado personagem virou protagonista dos romances policiais da publicação, se espalhando ainda mais pela região ao aterrorizar a população. Logo, casos da perna estampavam as machades de diversas publicações, e eram cobertos constantemente por radialistas como Jota Ferreira, um dos grandes responsáveis por popularizar a história com suas coberturas na rádio.

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A Perna Cabeluda: história surgiu em Recife e passou a estampar as páginas de jornal (Diário de Pernambuco/Reprodução)
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Em entrevista recente ao Diário de Pernambuco, o repórter Raimundo Carrero, responsável por popularizar a história no jornal, conta que a maioria das histórias que circulavam entre a população sobre a perna cabeluda estavam ligadas a casos de violência doméstica. “As vítimas que não podiam dizer que tinham apanhado do marido, falavam que era a perna cabeluda”, relata ele.

Na história mais famosa,  publicada em fevereiro de 1976, um homem flagra a esposa deitada na cama com a perna cabeluda, agredindo a mulher violentamente antes de jogá-la no meio da rua. Com um quê de realismo fantástico, as histórias passavam pelos censores, denunciando a realidade nas entrelinhas.

Com o tempo, a perna cabeluda virou lenda urbana, se integrando ao folclore popular pernambucano. Depois do filme, o membro virou fantasia de carnaval, e até posou para fotos em Cannes, onde O Agente Secreto levou dois prêmios. Resta saber se ela fará também uma aparição no Oscar.



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