O mercado de esportes eletrônicos na América Latina atravessa um momento decisivo com o anúncio de que a Spun Mídia, uma mediatech brasileira, adquiriu integralmente a tradicional organização MIBR. A operação marca o retorno da equipe ao controle totalmente nacional e inaugura a EZOR, uma vertical dedicada a games e eSports que nasce com um plano de investimento de 100 milhões de reais para os próximos cinco anos. A estratégia é clara: deixar de ser apenas uma intermediária de anúncios para se tornar dona dos canais onde a audiência está, unindo a paixão das torcidas à eficiência de negócios baseada em dados.
Fundada em 2021, a Spun Mídia se diferencia das agências tradicionais ao buscar a propriedade da audiência, em vez de apenas alugar espaços publicitários. “A Spun é uma empresa de mídia com um objetivo muito particular de ser proprietária das audiências, deter os canais de audiência e não só transitando, intermediando publicidade”, explica João Pedro Manetti, CEO da empresa. Ao olhar para o mercado, a empresa identificou nos games um público fiel e em crescimento, especialmente entre a Geração Z, que muitas vezes prioriza o ambiente digital em detrimento dos esportes tradicionais. “A gente entende que o poder aquisitivo está aumentando, o consumo está aumentando e que em algum momento vai bater de frente com futebol e com outras modalidades”, projeta Manetti.
A escolha pelo MIBR para ancorar essa estratégia não foi aleatória. Com mais de 20 anos de história e três títulos mundiais, a organização possui uma identidade forte que vai além da competição. No entanto, o fator decisivo para o negócio foi a sinergia de valores, especialmente no que tange à diversidade e inclusão. A Spun, que opera em modelo 100% home office e possui maioria feminina em cargos de liderança, encontrou no MIBR um parceiro alinhado, pioneiro em projetos como o WIBR (Women in Brazil). “A Spun hoje é uma empresa 100% home office e tem funcionários espalhados pelos 18 estados brasileiros… E se preocupa com isso [diversidade]. Então, foi um match perfeito”, diz Roberta Coelho, CEO do MIBR.

Sob o guarda-chuva da recém-criada EZOR, o MIBR se junta à organização LOS, na qual a Spun já havia investido em 2024. A EZOR funcionará como uma plataforma multimarcas com backoffice integrado, mas preservando a independência e a identidade de cada time. O objetivo é criar um ecossistema robusto que ofereça ao mercado publicitário soluções mais sofisticadas do que o patrocínio tradicional. “A gente ganha como organização no menu de opções que a gente passa a poder oferecer para as marcas patrocinadoras e para o mercado como um todo. Então você imagina que hoje eu posso juntar com uma cota de patrocínio, falar de mídia, falar de alcance, falar de conversão com muito mais notoriedade”, detalha Roberta Coelho.
Essa nova estrutura visa profissionalizar ainda mais o setor e “furar a bolha” do nicho gamer, alcançando o grande público. A ambição é global, com planos de fortalecer a presença em grandes competições internacionais, como a Copa do Mundo de Esports em Riade. Para os executivos, o investimento reflete uma mudança de comportamento social, onde o jogo online se tornou o novo ponto de encontro. “O nosso lazer no final do dia, quando a gente termina aqui o home office… a gente sai, às vezes desconecta do escritório online e os mesmos amigos vão para um espaço de jogo que a gente tem… é como se estivesse saindo para tomar uma cerveja”, ilustra João Pedro Manetti.
Com a governança compartilhada entre Manetti, Roberta Coelho e Alexandre “Kakavel” Peres (CEO da LOS), a EZOR promete escalar negócios com velocidade, mantendo o foco na comunidade e na formação de talentos. “A Spun tem o propósito de construir o maior hub e ecossistema de mídia de eSports da América Latina, com ambição global”, define Manetti, ressaltando que, embora as marcas operem de forma independente, elas serão “impulsionadas por toda a estrutura e know-how do nosso modelo de mídia”.