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Bill Gates, fundador da Microsoft, quebrou o silêncio nesta quarta-feira, 4, após uma nova leva de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein sugá-lo novamente para dentro do escândalo sexual que envolveu uma enorme rede de exploração de mulheres, algumas menores de idade. O bilionário afirmou em entrevista ao canal australiano 9News que “se arrepende de cada minuto” que passou com o falecido financista e negou novas acusações levantadas contra si.
“Fui tolo em passar tempo com ele”, declarou Gates, acrescentando que a aproximação com Epstein foi um “beco sem saída”. “Cada minuto que passei com ele, eu me arrependo”, completou.
Gates contou ao 9News que conheceu o financista em 2011 e que, ao longo de cerca de três anos, participou de jantares com ele para discutir investimentos em empreendimentos científicos.
“Ele conhecia muitas pessoas muito ricas e dizia que poderia convencê-las a doar dinheiro para a saúde global”, afirmou o filantropo.
O fundador da Microsoft também negou ter participado de festas ou ido à ilha de Epstein — onde, segundo denúncias, grande parte dos relatos de abusos sexuais teria acontecido — e disse ainda que e-mails atribuídos ao financista citando seu nome, divulgados na terceira leva de arquivos do caso na última sexta-feira 30, são “falsos”. As mensagens de uma conta que parecia pertencer ao criminoso afirmam que Gates tentou esconder uma IST (infecção sexualmente transmissível) de sua então esposa, Melinda French Gates, depois de ter relações sexuais com “garotas russas”.
“Aparentemente, Jeffrey escreveu um e-mail para si mesmo. Esse e-mail nunca foi enviado. O e-mail é falso”, disse Gates. “Não sei qual era o pensamento dele nisso. Ele estava tentando me atacar de alguma forma?”’
Seus comentários vieram um dia após Melinda, que se divorciou do bilionário em 2021, afirmar em entrevista ao podcast Wild Card, da emissora norte-americana NPR, que o ex-marido precisava dar respostas sobre as menções ao seu nome na investigação sobre Epstein. Ela disse que os novos arquivos divulgados a fizeram relembrar momentos “muito dolorosos” no casamento.
“Então, quaisquer perguntas que ainda existam, coisas que eu nem consigo começar a saber completamente, essas perguntas são para aquelas pessoas e até para o meu ex-marido. Eles precisam responder por isso, não eu”, disse Melinda. “E estou muito feliz por estar longe de toda aquela sujeira.”
Caso Epstein
O nome do fundador da Microsoft aparece na leva de mais de 3 milhões de páginas de documentos (entre e-mails, mensagens de texto, notícias e relatórios de investigação), 180 mil imagens e 2.000 vídeos divulgada na última sexta pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.
Em um rascunho de e-mail incluído nos arquivos, Epstein alega que Gates manteve relações extraconjugais. O financista escreveu que sua relação com o fundador da Microsoft incluiu “ajudar Bill a conseguir drogas para lidar com as consequências de seus encontros sexuais com mulheres russas, até facilitar encontros ilícitos com mulheres casadas”.
Uma mensagem posterior, também atribuída ao financista, critica Gates. “Para adicionar insulto à injúria, você então subsequentemente, com lágrimas nos olhos, implora para que eu delete os e-mails sobre sua IST, seu pedido para que eu lhe forneça antibióticos que você possa dar secretamente a Melinda e a descrição do seu pênis”, diz.
A Fundação Gates já havia divulgado um comunicado à imprensa no qual negou as acusações “absolutamente absurdas de um mentiroso conhecido”.
Além de Gates, os arquivos contém referências a diversas figuras públicas, incluindo o presidente Trump, o bilionário Elon Musk, o secretário de Comércio Howard Lutnick e o bilionário britânico Richard Branson. Nomes de brasileiros como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o empresário Eike Batista também aparecem, embora as meras citações, claro não impliquem crime.