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Quando enviou os pedidos aos artistas que fazem ilustrações para a empresa, a Wizards of the Coast, responsável pelo popular jogo de cartas colecionáveis Magic: The Gathering, queria ilustrações feitas com métodos tradicionais. Em tempos de arte feita por inteligência artificial, a nova coleção do jogo, Lorwyn Eclipsed, seria marcada pelos trabalhos feitos de forma artesanal, com tinta a óleo, acrílico e outros materiais. A lista de ilustradores conta com nomes de todo o planeta – incluindo o brasileiro Caio Monteiro, que desenhou quatro novas cartas para a coleção.

“Desde moleque eu quis trabalhar com arte. Fazia ilustrações de temas de fantasia, sempre joguei RPG e Magic”, conta o ilustrador. Formou-se em Belas Artes na UFRJ e foi trabalhar na área de publicidade. A virada em sua carreira veio com um convite de Pedro Borges, autor do RPG “Crônicas“, que teve uma campanha de financiamento coletivo de grande sucesso. “Fiz praticamente o livro inteiro e aquilo abriu muitas portas para mim”. Recebeu outro convite do diretor de arte da editora Paizo para trabalhar no RPG Pathfinder. Foi assim que pode largar a publicidade e se concentrar apenas nos trabalhos de ilustração para RPG. Anos depois, o mesmo diretor de arte foi trabalhar na Wizards of the Coast e convidou Monteiro para ilustrar cartas de Magic. Suas primeiras artes para o jogo foram feitas em 2018.
A coleção de Lorwyn Eclipsed representa um retorno a um cenário querido pelos jogadores, mas que não era o tema de um novo conjunto de cartas há quase 20 anos. Nesse ambiente, o mundo é dividido entre períodos de claridade, com um Sol que nunca se põe, seguido por uma época sombria – quando passa a se chamar Shadowmoor. A Grande Aurora acontece a cada 300 anos, mas eventos fizeram com que os dois cenários passassem a coexistir. É um mundo povoado por fadas, elfos, gigantes, goblins, elementais e outros seres do universo da fantasia. E as ilustrações foram feitas da mesma forma que o jogo começou: com artistas desenhando no papel, sem auxílio de IA. Para valorizar ainda mais o processo artístico, o Instagram da Wizards of the Coast compartilhou o processo criativo de diversos ilustradores, revelando cada etapa em detalhes.

Os ilustradores começam a trabalhar nas novas cartas com bastante antecedência. Recebem um briefing com as informações que precisam para trabalhar, começando pelo nome da carta (que pode ser provisório), a cor, o tipo (se é uma criatura, um encantamento ou um artefato, por exemplo), qual o cenário e o plano (em Magic, cada coleção é ambientada em um plano diferente, com características próprias), além do que a imagem precisa mostrar. “Muitas vezes eles deixam bastante espaço para criarmos com liberdade”, conta Monteiro. Junto com o briefing, cada artista recebe um catálogo de referências visuais criado especialmente para a coleção, que ajuda a nortear o processo criativo.
Monteiro diz que seu processo criativo começa sempre com um rascunho digital, processo que facilita ajustes. Depois, passa a versão mais ou menos final para o papel, antes de pintar na tela usando acrílico ou óleo. “Gosto também de trabalhar com paineis de MDF, pois é possível manipular a textura. É diferente, o material em si oferece outras possibilidades”, diz. Tem cerca de 40 dias entre o primeiro briefing e a versão final, incluindo os ajustes que podem ser solicitados durante o processo.

Além de Magic: The Gathering, Caio Monteiro produz ainda ilustrações para Dungeons & Dragons, o popular RPG de fantasia que hoje pertence à Wizards of the Coast (e que, por sua vez, faz parte da gigante do entretenimento Hasbro).
Monteiro também não é o único brasileiro que produz artes para Magic. Nesta coleção, a também brasileira Nathanna Érica assina uma série de artes variantes exclusivas como artista convidada. Outros ilustradores, como Will Murai e Viko Menezes, também assinam cartas de coleções anteriores.
