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Uma investigação conduzida pelo Credit Suisse identificou centenas de contas ligadas ao nazismo no banco. As informações foram divulgadas pelo senador americano Chuck Grassley, do Partido Republicano, nesta terça-feira, 3, em declaração a repórteres, horas antes de uma audiência do Comitê Judiciário do Senado dos Estados Unidos sobre a relação entre instituições financeiras suíças e o Partido Nazista da Alemanha.

Presidente do Comitê Judiciário, Grassley disse ter tido acesso a dois relatórios e uma atualização da investigação que apontavam a existência de 890 contas relacionadas ao nazismo no Credit Suisse. Muitas delas datavam da Segunda Guerra Mundial, incluindo fundos pertencentes ao Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, da Cruz Vermelha e de uma empresa alemã de fabricação de armamentos.

O senador americano também apontou que o inquérito trouxe evidências de que as relações do Credit Suisse com a SS, organização paramilitar dos tempos de Adolf Hitler que virou a tropa de elite do nazismo, eram mais relevantes do que se sabia anteriormente. Segundo ele, o braço econômico da polícia de Estado mantinha uma conta na instituição.

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Grassley revelou ainda que a investigação trouxe novos detalhes sobre um plano para ajudar nazistas a fugir para a Argentina após o fim da Segunda Guerra Mundial. De acordo com o parlamentar, os documentos contendo as informações foram entregues a ele pelo ex-procurador Neil Barofsky, que colabora com a investigação promovida pelo Credit Suisse.

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“O que a investigação descobriu até o momento mostra que o envolvimento do Credit Suisse foi mais amplo do que se sabia anteriormente. Isso reforça a importância de continuarmos a investir em pesquisas sobre essa horrível era da história moderna”, disse Barofsky, em comunicado. O ex-procurador deverá apresentar uma declaração escrita sobre o caso durante a audiência nesta terça.

Investigação

Fundado no século XIX, o Credit Suisse foi uma das instituições que prestou serviços a alemães na época em que os nazistas roubavam os bens de suas vítimas judias. Na década de 1990, a instituição se juntou a outros bancos da Suíça em um acordo que estabelecia o pagamento de US$ 1,25 bilhão em restituição às vítimas do Holocausto.

No entanto, a organização judaica de direitos humanos Centro Simon Wiesenthal fez uma acusação contra o banco em 2021, denunciando uma possível falta de transparência. De acordo com a entidade, o Credit Suisse não expôs completamente a natureza de seu vínculo com o nazismo, incluindo os laços bancários relacionados a fugas para a Argentina.

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Para esclarecer o tema, a instituição contratou Barofsky para investigar seus arquivos, iniciando um trabalho que foi interrompido no final de 2022, quando o ex-promotor acabou demitido pelo banco. Ao mesmo tempo, o Credit Suisse passava por uma crise financeira que resultou na sua venda para um antigo concorrente, o também suíço UBS.

Sob nova administração, Barofsky foi recontratado e pôde dar prosseguimento à investigação, com o UBS se comprometendo a facilitar seu trabalho. “Agora, com três anos de experiência, nossa prioridade é concluir essa revisão para que o mundo possa se beneficiar das conclusões do próximo relatório final”, disse o presidente do UBS Americas, Robert Karofsky.

Segundo assessores do Comitê Judiciário do Senado americano, a expectativa é que o inquérito seja concluído até o início do verão americano, em junho. O relatório final sobre o caso, por sua vez, deverá ser entregue somente no final de 2026.



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