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A Nasa anunciou na terça-feira, 3, o adiamento do lançamento de sua primeira missão tripulada à Lua em mais de meio século, após uma série de contratempos técnicos durante um teste voo. A missão Artemis 2, originalmente prevista para ser lançada já neste domingo, 8, foi remarcada para março.
A decisão foi tomada após um “ensaio geral com combustível líquido” na plataforma de lançamento da Flórida, uma simulação onde o foguete Space Launch System (SLS) é totalmente abastecido com hidrogênio e oxigênio líquidos. Embora o exercício tenha sido projetado para detectar possíveis falhas, ele terminou prematuramente quando um vazamento persistente forçou a interrupção da contagem regressiva.
Inicialmente, os engenheiros conseguiram controlar uma série de pequenos vazamentos de hidrogênio, mas a situação se deteriorou à medida que o cronômetro se aproximava dos cinco minutos finais do lançamento simulado. O hidrogênio líquido, embora altamente energético, é notoriamente difícil de conter devido à sua estrutura molecular microscópica. “Só lançaremos o foguete quando acreditarmos estar totalmente preparados para realizar esta missão histórica”, disse o administrador da Nasa, Jared Isaacman, em um comunicado.
Além dos vazamentos de combustível, as equipes em solo foram obrigadas a solucionar problemas em uma válvula defeituosa relacionada à pressurização da escotilha e interrupções intermitentes nas comunicações de áudio. Autoridades da Nasa confirmaram que esses problemas são semelhantes aos “problemas técnicos” que afetaram a missão não tripulada Artemis 1 em 2022, evidenciando a contínua instabilidade da plataforma SLS.
John Honeycutt, chefe da Equipe de Gerenciamento da Missão Artemis 2, defendeu o cronograma de testes “agressivo”, sugerindo que a complexidade da interface entre o foguete e a plataforma de lançamento torna impossível simular completamente as condições de voo sem um ensaio em condições reais. “Para mim, a principal conclusão foi que tivemos a oportunidade de o foguete ‘conversar’ conosco, e foi exatamente isso que ele fez”, disse Honeycutt durante uma coletiva de imprensa. Ele observou que a interface “nos pegou de surpresa”, mas enfatizou que os dados coletados são inestimáveis para garantir a segurança da tripulação de quatro pessoas.
Os gerentes da missão acreditam que os reparos necessários podem ser concluídos diretamente na plataforma de lançamento, evitando um retorno dispendioso ao Edifício de Montagem de Veículos.
O atraso ocorre em meio à pressão renovada para “afirmar a liderança americana no espaço”, um objetivo defendido pelo presidente Donald Trump. A missão Artemis 2 — um voo de 10 dias ao redor da Lua — é o precursor crucial para o objetivo final da Nasa: pousar humanos de volta na superfície lunar.
Os quatro astronautas da missão foram liberados da quarentena pré-lançamento em Houston após o anúncio. Apesar do contratempo, o comandante da equipe, Reid Wiseman, manteve-se otimista, usando as redes sociais para elogiar as equipes de solo que realizaram o “trabalho perigoso e implacável” de abastecer o foguete. “A tripulação acabou de tomar um café da manhã tranquilo com nossas famílias”, publicou Wiseman no X. “Amanhã voltamos aos treinos para começar os preparativos para o lançamento à Lua em março.”