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O ex-presidente americano Bill Clinton e sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, concordaram na segunda-feira 2 em prestar depoimento no âmbito da investigação da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos sobre as conexões entre o financista Jeffrey Epstein, condenado por encabeçar uma rede de exploração sexual de mulheres, e círculos de poderosos. A decisão veio às vésperas de uma votação dos deputados que poderia considerá-los em desacato criminal ao Congresso devido a ausências em audiências anteriores, apesar de intimações.

Anteriormente, os Clinton afirmaram que já haviam fornecido as “poucas informações” que possuíam para auxiliar na investigação e acusaram o republicano James Comer, presidente do comitê de supervisão da Câmara, de usá-los para tentar desviar o foco das falhas do governo de Donald Trump em torno do caso Epstein. O ocupante do Salão Oval foi amigo do financista por quase 15 anos antes de uma desavença, que ocorreu antes da sua primeira prisão, por abuso sexual de menor, em 2006.

A concessão ocorreu após uma tensa troca de farpas entre eles e Comer, que na segunda-feira afirmou que insistiria para que o casal prestasse depoimento sob juramento perante o comitê, a fim de cumprir as intimações do painel. “Os Clinton não têm o direito de ditar os termos de intimações legais”, disparou ele. Em paralelo, a Câmara caminhava para uma possível votação nesta semana que poderia declará-los em desacato ao Congresso pelas faltas anteriores. O crime pode levar a multas de até US$ 100 mil (aproximadamente R$ 532 mil) ou a um ano de prisão.

“Eles negociaram de boa fé. Você (Comer) não. Eles lhe disseram sob juramento o que sabem, mas você não se importa. Mesmo assim, o ex-presidente e a ex-secretária de Estado estarão lá. Eles esperam estabelecer um precedente que se aplique a todos”, escreveu o porta-voz dos Clinton, Angel Ureña, em uma publicação nas redes sociais endereçada ao presidente do comitê da Câmara.

Resistência

Durante meses, Bill e Hillary se recusaram a comparecer perante o comitê de supervisão liderado pelos republicanos, argumentando que as intimações eram legalmente “inválidas”, e acusando Comer de persegui-los como parte da campanha de retaliação de Donald Trump contra seus inimigos políticos.

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Uma carta da comissão aos advogados dos Clinton indica que o casal ofereceu que Bill conduzisse uma entrevista transcrita sobre “assuntos relacionados às investigações e processos contra Jeffrey Epstein” e que Hillary apresentasse uma declaração juramentada. Mas haviam se recusado a depor perante o Congresso.

Em 12 de janeiro, os advogados do casal enviaram uma carta a Comer explicando que não compareceriam às audiências por considerarem as intimações como “inválidas e juridicamente inexequíveis, desvinculadas de um propósito legislativo válido, injustificadas porque não buscam informações pertinentes e uma violação sem precedentes da separação de poderes”.

+ O que se sabe até agora sobre acusações no caso Epstein e a resposta de personagens citados

A exigência de depoimento “contraria as limitações claramente definidas ao poder investigativo do Congresso, estabelecidas pela Suprema Corte dos Estados Unidos”, escreveram, acrescentando: “É evidente que as próprias intimações – e qualquer tentativa subsequente de executá-las – nada mais são do que uma manobra para tentar constranger rivais políticos, conforme instruído pelo presidente Trump.”

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Nove dos 21 democratas do comitê juntaram-se aos republicanos em apoio às acusações de desacato contra Bill Clinton, defendendo total transparência na investigação de Epstein. Três democratas também apoiaram as acusações contra sua esposa.

Nos holofotes

A relação de Bill Clinton com Epstein voltou a ser um foco para os republicanos em meio à pressão da sociedade por responsabilização diante dos abusos de Epstein, que se suicidou em 2019 na cadeia após ser condenado por tráfico sexual. O ex-presidente americano, assim como vários outros homens poderosos, incluindo Trump, manteve laços bem documentados com o financista no final da década de 1990 e início dos anos 2000. Ele não foi acusado de nenhum crime.

Na última sexta-feira, mais de 3 milhões de arquivos relacionados ao caso foram divulgados pelo Departamento de Justiça, incluindo mais de 2 mil vídeos e 180 mil imagens. Os documentos incluíam uma série de e-mails entre o bilionário Elon Musk e Epstein, indicando uma relação mais amigável do que se sabia anteriormente. Após o último lote vir à tona, os democratas prometeram lutar contra o que chamam de “acobertamento total” dos arquivos, diante da declaração do governo Trump, no domingo, de que a investigação sobre o financista estava encerrada.

Muitos democratas, assim como uma ala de republicanos liderada pelo deputado Thomas Massie, do Kentucky, sustentam que o Departamento de Justiça dos EUA ainda retém milhões de páginas de informações adicionais sobre Epstein. O caso vem gerando desgaste para a Casa Branca, que foi acusada (e não apenas pelos Clinton) de tentar desviar a atenção realizando investigações e campanhas difamatórias contra democratas a quem acusa de terem participado da rede de exploração sexual.



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