
Um dia após a primeira fase da Operação Barco de Papel, que fez buscas no apartamento do ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, a Polícia Federal voltou ao endereço em Botafogo, na zona sul do Rio, e apreendeu todo o circuito de segurança do condomínio. Era sábado quando os policiais federais levaram equipamentos de gravação e armazenamento de imagens. O edifício ficou temporariamente sem sistema de vigilância, o que inclusive gerou protestos entre os moradores.
As buscas aconteceram no dia 23 de janeiro. Quando os policiais federais chegaram, o apartamento estava vazio e foi preciso recorrer a um chaveiro para destrancar o imóvel sem arrombar a porta. Foram apreendidos quase R$ 7 mil em dinheiro vivo, documentos, um pendrive, um relógio e um carro no endereço. A equipe retornou no dia seguinte para recolher os equipamentos.
A Polícia Federal descobriu que documentos haviam sido retirados do apartamento, que provas digitais haviam sido manipuladas e que dois carros de luxo de Deivis haviam sido transferidos para terceiros. Os investigadores consideraram as manobras suspeitas. Para a PF, ficou claro que houve uma tentativa de apagar rastros e de blindar o patrimônio ante o avanço das apurações. A defesa informou que busca mais informações para poder se manifestar.
O ex-presidente do Rioprevidência foi preso nesta terça-feira, 3, depois de desembarcar no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, de uma viagem de férias nos Estados Unidos, programada desde novembro. A defesa chegou a orientá-lo a antecipar o retorno, mas Deivis considerou muito oneroso o prejuízo de comprar novas passagens para toda a família. Oficialmente, não havia nada que o impedisse de desfrutar as férias em solo americano.
Deivis foi detido na estrada, na altura de Itatiaia, no Vale do Paraíba, quando voltava em um carro alugado para o Rio de Janeiro. Em seguida, ele foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda e, posteriormente, encaminhado à superintendência da PF no Rio de Janeiro, onde está sendo ouvido pelos investigadores.
Os policiais decidiram interceptá-lo na estrada, ao invés de abordá-lo no desembarque do aeroporto, por estratégia. Os agentes fizeram o monitoramento do carro em tempo real, com auxílio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da delegacia da PF no aeroporto de Guarulhos.