A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, anunciou nesta segunda-feira (2) que autoridades japonesas conseguiram extrair sedimentos ricos em terras raras do fundo do mar a partir de uma profundidade de cerca de 6.000 metros.

Segundo o governo japonês, trata-se de um feito inédito.

“Este teste marca a primeira iniciativa rumo à industrialização da produção doméstica de terras raras no país, e a elevação de lama a partir de uma profundidade de aproximadamente 6.000 metros representa um feito inédito no mundo”, disse a premiê, em publicação no X.

A iniciativa acontece num momento em que Tóquio tenta reduzir a dependência da China no fornecimento desses insumos.

A chamada “lama” é, na prática, um sedimento marinho, uma mistura de argila, minerais e óxidos depositados no fundo do oceano, que pode concentrar elementos de terras raras como neodímio, disprósio e térbio, usados em ímãs e componentes de tecnologias avançadas.

No teste, a coleta foi feita pelo navio de perfuração científica Chikyu, em operação liderada pela agência japonesa de pesquisa em ciência e tecnologia marinha usando um sistema de coleta e elevação do sedimento até a embarcação para análise.

O governo afirmou que o projeto está dentro do programa japonês de inovação estratégica e que a ideia é testar, ao longo do tempo, uma cadeia completa, exploração, extração, separação, purificação e refino para formar uma fonte doméstica e reforçar a segurança econômica do país.

Ainda assim, autoridades japonesas reconhecem que a viabilidade econômica segue em aberto: as amostras agora serão avaliadas para medir volume e teor do material recuperado.

Em janeiro, a China proibiu a exportação de determinados elementos de terras raras e de outros itens ao Japão que poderiam ser usados para fins militares, o que tensionou ainda mais as relações entre os dois países. A medida ocorre após declarações recentes do governo japonês sobre Taiwan, tema sensível para Pequim.

Segundo dados da IEA (Agência Internacional de Energia), 91% do refino mundial de terras raras é realizado por empresas chinesas, que também respondem por cerca de 94% da produção global de ímãs permanentes, usados em turbinas eólicas, motores elétricos e equipamentos de defesa.



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