Ler Resumo

No concorrido universo das universidades de ponta – aquelas capazes de desenvolver pesquisas que contribuem para importantes mudanças nos rumos da humanidade – poucas têm se destacado tanto quanto as instituições chinesas.  Na edição mais recente do ranking elaborado pela Universidade de Leiden, na Holanda, que analisa a quantidade e a qualidade de estudos publicados, oito das dez primeiras posições são ocupadas por academias localizadas no dragão asiático. E mais: Zhejiang e  Xangai Jiao Tong acabam de assumir a ponta e o segundo lugar, respectivamente, desbancando a prestigiada universidade americana de Harvard, que há anos figurava na primeira posição.

Em outras listas do tipo, como o Times Higher Education e o QS, há cada vez mais escolas chinesas de ensino superior no top 100. Muitas delas já deixaram concorrentes de peso para trás, tais como Columbia, Penn State e Cornell, todas integrantes da nata da ciência nos Estados Unidos.

Além da enorme capacidade publicar estudos realmente inovadores – Zhejiang, por exemplo, têm se destacado nos campos de biomedicina, com estudos sobre a cura do câncer com aplicação de vírus, e física, com a invençao de uma “fumaça congelada”, apresentada como o mais leve sólido já criado pelo homem – essas universidades têm obtido destaque graças a algumas estratégias que são implementadas à risca pelo poderoso governo comunista. 

Conheça algumas delas:

Parceria com a iniciativa privada

O desempenho das universidades chinesas tem sido impulsionado por um modelo de cooperação entre academia e setor produtivo, com destaque para a áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês). Os coordenadores dos cursos são demandados pelas empresas para criar programas com o objetivos de desenvolver produtos e treinar competências imporantes no mercado de trabalho.

Continua após a publicidade

Um dos exemplos mais emblemáticos é a parceria entre a multinacional de telecomunicação Huawei e instituições como Shenyang Institute of Technology, que abriga a maior base internacional de formação de talentos em tecnologia da informação do país, e a Shenzhen Polytechnic University.

“Podemos dizer que a Huawei é, essencialmente, uma empresa de Pesquisa e Desenvolvimento. Investimos cerca de 128 bilhões de reais por ano o setor, o equivalente 20% da nossa receita”, diz Atilio Rulli, vice-presidente de Relações Públicas e Institucionais da Huawei no Brasil,. Como resultado, a empresas que surgiu nos anos 1970, se tornou um gigante que luta pela liderança do mercado de 5G no mundo.

Dinheiro e metas

Para a educação superior, não falta verba na China. Ano passado, o governo investiu cerca de 1,8% de seu polpudo PIB de 19,6 trilhões de dólares, cifra que pela primeira vez bateu a média dos países desenvolvidos, embora ainda abaixo de Estados Unidos, Coréia e França. O segredo para obter melhores resultados gastando menos é o cumprimento de arrojadas metas de produtividade, especialmente nos setores mais competitivos do mercado.

Continua após a publicidade

“A sociedade chinesa é altamente ranqueada. É premiado quem se destaca desde os anos iniciais da escola, até o fim da formação profissional. Depois de formado, o aluno terá de apresentar suas notas para conquistar um bom lugar no mercado de trabalho”, ponta Evandro Menezes, professor de direito da FGV-RJ, e titular da Cátedra Wutong, da Universidade de Língua e Cultura de Pequim.  

Embora não recebam altos salários, os professores são atraídos por excelentes condições de trabalho, reconhecimento profissional, além de diversos benefícios indiretos, como subsídio de alimentação e linhas de crédito facilitadas para compra de imóveis. Em troca, precisam apresentar bons resultados e obter espaço nas mais importantes revistas científicas do mundo.

Repatriação de talentos

Por décadas, a China exportou cérebros para as melhores univerisdades do mundo. Agora, tenta reverter esse fluxo, oferecendo boas condições de trabalho para cientistas renomados. Pesa, nesse caso, a promessa de laboratórios de ponta e financiamento de projetos inovadores.

Continua após a publicidade

Mais recentemente, as grandes universidades passaram a repatriar profissionais que tinham cruzado o globo para estudar nos EUA, mas estavam descontentes com os cortes de verba ordenados por Donald Trump.

O presidente americano tem feitos ferozes ajustes nos repasses às universidades, que acusa de serem progressistas (“woke”) demais, mantendo sistema de cotas em seu ingresso e programas de diversidade sexual e racial.    

Ambiente competitivo

A competição entre pares é outro fator apontado como sendo um dos principais responsáveis pelo impulso ao ensino superior. A começar pelo sistema de ingresso, que depende do Gaokao, o maior e mais difícil vestibular do mundo. Todo ano, 13 milhões de estudantes que completaram o uniformizado ciclo básico chinês disputam para se tornarem um dos 58 milhões de universitários do país, em um sistema de seleção semelhante ao SISU. Apenas o topo da pirâmide passa na peneira das melhores universidades. “



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *