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Um e-mail enviado pelo bilionário Elon Musk a Jeffrey Epstein em 2013 mostra que o empresário perguntou ao financista condenado por crimes sexuais: “Quando podemos ir para a sua ilha?”. A mensagem integra uma nova leva de documentos divulgados nesta sexta-feira, 30, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no âmbito da investigação sobre a rede de exploração sexual operada por Epstein.
O e-mail faz parte de um conjunto de mais de 3 milhões de páginas tornadas públicas pelas autoridades americanas. Na correspondência online, Epstein responde de forma amistosa, afirmando que “sempre há espaço” para Musk, enquanto os dois discutem possíveis datas para a visita. Os documentos não indicam se a viagem chegou a se concretizar.
Em ocasiões anteriores, Musk negou ter visitado a ilha. Em setembro de 2025, ele afirmou em uma publicação na rede social X, da qual é proprietário, que recusou convites feitos por Epstein. “Ele tentou me convencer a ir à ilha dele e eu recusei”, escreveu.
Epstein fez fortuna no mercado financeiro e foi condenado por abusar sexualmente de menores e operar uma ampla rede de exploração. O principal epicentro dos crimes era uma ilha particular nas Ilhas Virgens Americanas, frequentemente visitada por convidados que viajavam no avião privado do financista, apelidado de “Lolita Express”. O empresário morreu em 2019, em uma prisão de Nova York, enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
A divulgação marca uma nova etapa na liberação dos arquivos ligados ao caso Epstein. Segundo o vice-procurador-geral dos Estados Unidos, Todd Blanche, o material inclui milhares de documentos, além de mais de 2.000 vídeos e cerca de 180.000 imagens, muitas delas contendo pornografia comercial. De acordo com o Departamento de Justiça, as imagens de mulheres serão censuradas, com exceção das que envolvem Ghislaine Maxwell, ex-companheira de Epstein e condenada por auxiliar o esquema de abuso sexual.
Segundo Blanche, a divulgação atual marca a fase final do processo de revisão conduzido pelo Departamento de Justiça para garantir transparência e cumprimento da lei. Ele também afirmou que a Casa Branca não interferiu na liberação do material. “Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos”, declarou.
Documentos divulgados anteriormente lançaram luz sobre os vínculos de Epstein com executivos, celebridades, acadêmicos e políticos, incluindo Donald Trump e o ex-presidente Bill Clinton.
Talvez os documentos mais significativos divulgados até agora sejam dois e-mails do FBI, de julho de 2019, que mencionam dez “co-conspiradores” de Epstein. Apenas Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein, foi acusada em relação a seus crimes, e os nomes dos supostos “co-conspiradores” aparecem tarjados nos e-mails. Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão por recrutar menores para Epstein, cuja morte foi declarada suicídio.
Trump, antigo amigo próximo de Epstein, e Clinton aparecem de forma destacada nos arquivos publicados até o momento, mas não foram acusados de nenhum crime.
No início do mês, um documento judicial revelou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos havia divulgado apenas 1% dos arquivos do caso Jeffrey Epstein. Em uma atualização de cinco páginas, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, informou que proteger as identidades das vítimas era sua principal prioridade, o que levou a atrasos. Antes da liberação desta sexta, haviam sido divulgados 12.285 documentos, totalizando 125.575 páginas.
Os arquivos começaram a ser divulgados após a sanção, em novembro, da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. No entanto, os democratas, que lideram o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, acusam o governo de Donald Trump de reter documentos e retardar o processo de maneira intencional, com o objetivo de supostamente proteger o presidente. O republicano foi citado em várias páginas e pode ser visto em uma série de fotos ao lado de Epstein tornadas públicas até o momento.
Como promessa de campanha, Trump disse que liberaria os documentos relacionados ao caso se retornasse à Casa Branca. Em janeiro, quando o republicano publicou arquivos sobre a investigação, um clima de insatisfação tomou conta: as informações divulgadas já eram conhecidas. Pressionado, o presidente dos EUA virou alvo de uma teoria da conspiração dentro da sua base política, a Make America Great Again (MAGA), de que está em uma lista secreta de pessoas que se beneficiavam do esquema de Epstein.