Esqueça a contradição entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, sobre se todos tinham ciência sobre origem das carteiras envolvidas nos negócios entre as duas instituições. Revendidas pelo Master ao BRB entre janeiro e maio de 2025, a transação totalizou 12 bilhões de reais. Como se sabe, na acareação realizada pela Polícia Federal em 30 de dezembro, Vorcaro afirmou que o Master teria informado o BRB de que as carteiras que passaria a oferecer seriam de terceiros. Em sua réplica, Costa declarou que, “no seu entendimento”, as carteiras pertenciam ao Master. Mas, na verdade, tal contradição não toca no ponto fundamental: a origem fraudulenta dos créditos fictícios.

Mesmo que o BRB soubesse que as carteiras vendidas pelo Master eram de terceiros, a questão essencial para a Polícia Federal é que tais créditos eram uma fraude. Quando questionado pelo BC, Vorcaro afirmou inicialmente que comprou as carteiras de duas associações baianas de servidores públicos, a Asteba e a Asseba. Pouco tempo depois, mudou a versão e passou a atribuir os créditos a pessoas físicas espalhadas por todo o país. Novamente indagado pelo BC, o Master criou uma terceira versão: a de que os papéis foram comprados de uma outra fonte, a Tirreno Promotoria de Crédito.

Não colou. Primeiro, porque a Tirreno foi criada em novembro de 2024, a partir de uma empresa já existente, a SX 016 Empreendimentos. Seu antigo dono, Daniel Moreira Bezerra, registrou diversos CNPJs no mesmo endereço comercial da SX 016 e com razões sociais semelhantes. Para o Ministério Público, isso seria um claro indício de que a SX 016 era uma empresa de fachada.

O problema é que a Tirreno não tinha porte para gerar 12 bilhões de reais em créditos. Para piorar, o único cliente da empresa era o próprio Master. As investigações revelaram, contudo, sequer 1 real em transações financeiras. É neste ponto que a explicação do Master ao BC trouxe um outro personagem: a Cartos, uma sociedade de crédito direto que, na nova versão dos acontecimentos, seria a origem das carteiras de crédito. A questão é que a Cartos também não teria porte para movimentar 12 bilhões de reais em recebíveis.

Durante a acareação feita no fim de dezembro, Vorcaro afirmou: “A gente anunciou que faria a venda de originadores terceiros. A gente chegou a conversar que a gente começaria um novo formato de comercialização, que seria originada de terceiros, não mais originação própria.”

Ao se manifestar, o ex-presidente do BRB rebateu o dono do Master: “No meu entendimento, eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas ou negociadas com terceiros e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente [BRB].” Asteba, Asseba, Tirreno, Cartos ou Master, o que importa, no final, é se tais créditos existiram ou, se como apontam a PF e o Ministério Público, tudo não passou de uma bilionária fraude.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *