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Israel afirmou nesta sexta-feira, 30, que irá reabrir a passagem de Rafah, que liga a Faixa de Gaza ao Egito, permitindo que milhares de pessoas voltem a se deslocar entre os territórios no próximo domingo, 1º. A medida foi anunciada pela agência israelense responsável por coordenar a política civil no enclave palestino, o COGAT. Embora Gaza siga sob restrições impostas por Tel Aviv, a ação alimenta a esperança dos palestinos por uma vida normal.
“O retorno de residentes do Egito para a Faixa de Gaza será permitido, em coordenação com o Egito, apenas para os moradores que deixaram Gaza durante o decorrer da guerra, e somente após autorização de segurança prévia de Israel”, informou o COGAT.
Único ponto de travessia que não era completamente controlado por Tel Aviv antes da guerra em Gaza, a passagem de Rafah foi, por muito tempo, o caminho exclusivo até o mundo exterior para os 2 milhões de habitantes do enclave. No entanto, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) passaram a dominar o local em maio de 2024, em meio ao conflito contra o Hamas, bloqueando todo o tráfego. Desde então, somente raras evacuações médicas foram permitidas.
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A abertura da travessia era aguardada por palestinos de ambos os lados da fronteira, uma vez que dezenas de milhares conseguiram fugir da guerra antes que as IDF fechassem a fronteira. Embora tenham estabelecido residência no Egito, as autoridades egípcias se opõem a qualquer assentamento permanente de refugiados de Gaza no país.
“Pessoas retidas fora de Gaza querem voltar; milhares de feridos e doentes precisam desesperadamente viajar para o exterior”, explicou o analista político baseado na Cidade de Gaza, Mustafa Ibrahim, à emissora alemã Deutsche Welle (DW). Segundo ele, a medida é importante para mostrar à população palestina que há progresso nas etapas do cessar-fogo. “A travessia precisa ser aberta para que as pessoas sintam mudança e transição”, disse o especialista.
A notícia da reabertura se espalhou rapidamente pelo enclave, alimentando a esperança entre habitantes de ter novamente o direito de ir e vir. “Queremos liberdade de movimento, tanto dentro quanto fora (de Gaza). Queremos que os palestinos que desejam retornar possam fazê-lo”, afirmou Shaiman Rashwan à DW. “Queremos uma vida normal. Esses são os direitos mais básicos de qualquer povo e nação”, desabafou ele.
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Fontes diplomáticas apontam que a reabertura também facilitará a entrada de mais ajuda humanitária e mercadorias comerciais, uma vez que a maioria dos insumos tem trafegado pela passagem de Kerem Shalom, controlada por Israel. “O que queremos ver é a entrada de bens humanitários, de cargas, tanto da comunidade humanitária quanto de cargas privadas”, disse o porta-voz das Nações Unidas, Stephane Dujarric. Segundo ele, a entidade ainda está tentando entender como a abertura de Rafah vai ocorrer na prática.
O movimento estava previsto já pela primeira fase do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que levou a um cessar-fogo entre Israel e Hamas em outubro do ano passado. No entanto, Tel Aviv sustentou que só reabriria a fronteira após recuperar o corpo do último refém israelense em Gaza, Ran Gvili. Na segunda 26, seus restos mortais finalmente foram repatriados.
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Uma vez que seja estabelecida, a abertura da fronteira deve criar um dilema para muitos moradores: ficar ou sair?
“Devo deixar Gaza e ir para outro lugar para salvar meus filhos de viverem em barracas, receberem educação intermitente, e receberem cuidados de saúde que nem sequer atendem as necessidades mais básicas — ou devo ficar no meu país para ajudar a reconstruí-lo junto com outros especialistas?”, questionou o engenheiro civil Hamed Hamdi, 41 anos, que perdeu sua casa e mora em um barraco na Cidade de Gaza.