
Questionado sobre uma possível interferência do presidente Donald Trump, o vice-procurador afirmou que o governo não participou da revisão dos arquivos. “Não protegemos Trump na divulgação dos arquivos”, acrescentou.
Documentos divulgados anteriormente lançaram luz sobre os vínculos de Epstein com executivos, celebridades, acadêmicos e políticos, incluindo Trump e o ex-presidente Bill Clinton.
Talvez os documentos mais significativos divulgados até agora sejam dois e-mails do FBI, de julho de 2019, que mencionam dez “co-conspiradores” de Epstein. Apenas Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein, foi acusada em relação a seus crimes, e os nomes dos supostos “co-conspiradores” aparecem tarjados nos e-mails. Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão por recrutar menores para Epstein, cuja morte foi declarada suicídio.
Trump, antigo amigo próximo de Epstein, e Clinton aparecem de forma destacada nos arquivos publicados até o momento, mas não foram acusados de nenhum crime.
No início do mês, um documento judicial revelou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou apenas 1% dos arquivos do caso Jeffrey Epstein. Em uma atualização de cinco páginas, a procuradora-geral dos EUA, Pam Bondi, informou que proteger as identidades das vítimas era sua principal prioridade, o que levou a atrasos. Antes da liberação desta sexta, haviam sido divulgados 12.285 documentos, totalizando 125.575 páginas.
Os arquivos começaram a ser divulgados após a sanção, em novembro, da Lei de Transparência dos Arquivos Epstein. No entanto, os democratas, que lideram o Comitê de Supervisão da Câmara dos Estados Unidos, acusam o governo de Donald Trump de reter documentos e retardar o processo de maneira intencional, com o objetivo de supostamente proteger o presidente. O republicano foi citado em várias páginas e pode ser visto em uma série de fotos ao lado de Epstein tornadas públicas até o momento.
Como promessa de campanha, Trump disse que liberaria os documentos relacionados ao caso se retornasse à Casa Branca. Em janeiro, quando o republicano publicou arquivos sobre a investigação, um clima de insatisfação tomou conta: as informações divulgadas já eram conhecidas. Pressionado, o presidente dos EUA virou alvo de uma teoria da conspiração dentro da sua base política, a Make America Great Again (MAGA), de que está em uma lista secreta de pessoas que se beneficiavam do esquema de Epstein.