A União Europeia provavelmente incluirá a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã em sua lista de organizações terroristas, afirmou a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, nesta quinta-feira (29), antes de uma reunião do Conselho de Ministros das Relações Exteriores.
“Estamos impondo novas sanções ao Irã e também espero que incluamos a Guarda Revolucionária Islâmica em nossa lista de organizações terroristas”, disse ela.
A declaração de Kallas acontece após a França ter afirmado, na quarta-feira (28), que apoiará a medida.
“A França apoiará a inclusão da Guarda Revolucionária Islâmica na lista de organizações terroristas da União Europeia”, escreveu o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, na rede social X.
Com o apoio da França, da Itália e da Alemanha, a decisão provavelmente será aprovada politicamente nesta quinta-feira, embora precise de unanimidade entre os 27 membros do bloco.
Mais cedo, na quarta-feira, a França havia demonstrado hesitação em apoiar a maioria do bloco, que pressionava pela inclusão da Guarda Revolucionária Islâmica na lista de organizações terroristas da UE, juntando-se aos Estados Unidos.
“A repressão insuportável da revolta pacífica do povo iraniano não pode ficar impune. A extraordinária coragem que demonstraram diante da violência cega desencadeada contra eles não pode ser em vão”, disse Barrot.
Criada após a Revolução Islâmica de 1979 no Irã para proteger o regime teocrático xiita, a Guarda Revolucionária Islâmica exerce grande influência no país, controlando setores da economia e das forças armadas, e foi encarregada dos programas nuclear e de mísseis balísticos do Irã.
Rompimento de relações e temores por cidadãos no país
Enquanto alguns Estados-membros da UE já pressionaram para que a guarda fosse incluída na lista de organizações terroristas da UE, outros, liderados pela França, se mostraram mais cautelosos.
Temiam que tal medida pudesse levar a um rompimento completo das relações com o Irã, impactando missões diplomáticas e prejudicando as negociações para a libertação de cidadãos europeus detidos em prisões iranianas.
Paris tem se preocupado especialmente com o destino de dois de seus cidadãos que vivem atualmente na embaixada em Teerã, após terem sido libertados da prisão no ano passado.
Os protestos antigovernamentais que varreram o Irã desde dezembro desencadearam a repressão mais sangrenta por parte das autoridades desde a Revolução Islâmica de 1979, atraindo condenação internacional.
Outros diplomatas que apoiam a medida afirmaram que a magnitude da repressão significa que a Europa precisa enviar um sinal político muito forte, dado o papel da IRGC na repressão, mas também suas atividades no exterior, que, segundo eles, equivalem a atividade terrorista.
“Se anda como um pato e grasna como um pato, então provavelmente é um pato, e é bom identificar isso”, disse um diplomata sênior da União Europeia.