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O juiz Felipe Remonato, da Vara Criminal de Camaçã, na Bahia, condenou sete réus que faziam parte do maior grupo criminoso da atualidade para tráfico de aves no Brasil. As penas chegaram a dezoito anos de prisão por crimes como organização criminosa, tráfico de fauna, maus-tratos, receptação qualificada e lavagem de capitais, apurados no âmbito da operação “Fauna Protegida”.
De acordo com informações da Promotoria, foram condenados o líder do grupo, Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, sentenciado a dezoito anos e 25 dias de reclusão, além de um ano, dois meses e onze dias de detenção; a esposa dele, Ivonice Silva, condenada a seis anos, dois meses e 29 dias de reclusão, somados a um ano e 29 dias de detenção; Josevaldo Moreira Almeida, a oito anos, um mês e dois dias de reclusão, além de um ano, dois meses e 21 dias de detenção; Uallace Batista Santos, Ademar de Jesus Viana, Gilmar José dos Santos e Messias Bispo dos Santos, cada um condenado a cinco anos, sete meses e quinze dias de reclusão, acrescidos de um ano, quatro meses e 22 dias de detenção. Eles podem recorrer da decisão. O espaço está aberto para manifestação das defesas.
“As investigações do Gaeco revelaram a existência de uma estrutura criminosa sofisticada voltada ao tráfico de animais silvestres entre Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Segundo a denúncia, o grupo operava com divisão rigorosa de tarefas, movimentação financeira relevante e padrões de atuação típicos de uma engrenagem empresarial ilegal”, diz trecho da nota do MP da Bahia.
Modus operandi
Segundo a denúncia, Paulista articulava a captura, aquisição e distribuição das aves, coordenando fornecedores e orientando a logística do comércio ilícito. Ivonice atuava como núcleo financeiro, sendo responsabilizada por transações expressivas. Já Uallace, Ademar, Messias e Gilmar integravam o núcleo de captura e manutenção, enquanto Josevaldo exercia o papel de redistribuidor em Salvador, garantindo o escoamento dos animais para o comércio clandestino.
Aves como estevão, canário, chorão, papa-capim, trinca-ferro, azulão e pássaro preto eram capturados, com utilização de armadilhas e redes de 20 metros de comprimento que possibilitavam apreender até 500 passarinhos em um único dia. Há registros de venda de aves por 80 mil reais.
O MP sustenta ainda que os animais eram alojados em cativeiros provisórios “de extrema precariedade e sem alimentação suficiente”, onde as aves aguardavam por muitos dias a chegada de Paulista, responsável por colocá-las em veículos de passeio e caminhões para remetê-las, em sua maior parte, ao estado do Rio de Janeiro e a Salvador.
Duas décadas de perseguição
Paulista era procurado há mais de 20 anos e foi preso durante uma blitz na rodovia BR-101, em 7 de janeiro do ano passado, nas proximidades de Itabuna, Bahia. “A prisão em flagrante, por transporte ilegal de 135 pássaros, colocou o maior traficante de aves silvestres do país no centro das investigações do MP-BA”, informou o MP à época. Segundo ocorrência policial, ele foi abordado depois de ser flagrado em um carro Santana “realizando manobras em zig-zag”.